Uma função de produção não linear descreve uma relação entre insumos e produto na qual os acréscimos sucessivos de um fator produtivo resultam em retornos marginais decrescentes. Isso é típico em contextos com apenas um insumo variável no curto prazo, mantendo os demais fixos.
Neste documento, usamos a seguinte função de produção:
\[
Q(L) = 10 \cdot \sqrt{L}
\]
ou
\[
Q(L) = 10 L ^ \frac{1}{2}
\]
Com:
\(Q\): quantidade produzida
\(L\): quantidade de trabalho
\(\sqrt{L}\) ou \(L^\frac{1}{2}\): captura os retornos decrescentes do trabalho
df |>select(Q, CF, CV, CT) |>pivot_longer(cols =-Q, names_to ="Tipo", values_to ="Custo") |>ggplot(aes(x = Q, y = Custo, color = Tipo)) +geom_line(linewidth =1.2) +geom_point() +labs(title ="Custos Totais vs Produção", x ="Quantidade (Q)", y ="Custo") +theme_minimal()
Gráfico de Custos Médios e Marginal
Código
df |>select(Q, CFMe, CVMe, CTMe, CMg) |>pivot_longer(cols =-Q, names_to ="Tipo", values_to ="Valor") |>ggplot(aes(x = Q, y = Valor, color = Tipo)) +geom_line(linewidth =1.2, na.rm =TRUE) +geom_point(na.rm =TRUE) +labs(title ="Custos Médios e Marginal vs Produção", x ="Quantidade (Q)", y ="Custo por unidade") +theme_minimal()
Análise Microeconômica do Exemplo
Este exemplo de função de produção não linear permite extrair diversas lições fundamentais da teoria da firma no curto prazo.
1. Retornos marginais decrescentes
A função de produção é:
\[
Q(L) = 10 \cdot \sqrt{L}
\]
A produtividade marginal do trabalho é:
\[
\frac{dQ}{dL} = \frac{5}{\sqrt{L}}
\]
ou \[
\frac{dQ}{dL} = \frac{5}{L^\frac{1}{2}}
\]
Ou seja, cada unidade adicional de trabalho gera menos produto adicional do que a anterior. Isso ilustra o princípio dos rendimentos marginais decrescentes, central na teoria da produção de curto prazo.
Explicação
Derivada da Função de Produção: Passo a Passo
Considere a seguinte função de produção não linear:
\[
Q(L) = 10 \cdot \sqrt{L}
\]
Sabemos que:
\[
\sqrt{L} = L^{1/2}
\]
Portanto, a função pode ser reescrita como:
\[
Q(L) = 10 \cdot L^{1/2}
\]
Regra de Derivação
Para uma função da forma:
\[
f(L) = a \cdot L^n
\]
A regra da potência nos dá:
\[
\frac{d}{dL} \left( a \cdot L^n \right) = a \cdot n \cdot L^{n - 1}
\]
Essa derivada representa o produto marginal do trabalho: a variação da produção \(Q\) gerada por uma variação infinitesimal na quantidade de trabalho \(L\), mantendo o capital fixo.
Como \(\frac{5}{\sqrt{L}}\)diminui com o aumento de \(L\), temos um caso típico de retornos marginais decrescentes, como previsto pela teoria da firma no curto prazo.
2. Custo marginal crescente
Como o produto marginal decresce, o custo marginal aumenta. Ele é dado por:
\[
CMg = \frac{\Delta CT}{\Delta Q}
\]
Cada unidade adicional de produto exige mais insumo, resultando em um custo marginal crescente. Isso é visível no gráfico, com a curva de custo marginal inclinada positivamente.
3. Custos médios em formato de “U”
Os custos médios têm comportamento típico:
Custo fixo médio (CFMe): sempre decrescente, pois o custo fixo é dividido por quantidades crescentes.
Custo variável médio (CVMe) e Custo total médio (CTMe): inicialmente decrescentes, atingem um mínimo e depois crescem.
Este comportamento resulta da interação entre a diluição do custo fixo e o aumento do custo marginal.
4. Cruzamento do custo marginal com os custos médios
O custo marginal (CMg) cruza o custo médio total (CTMe) e o custo variável médio (CVMe) nos seus respectivos pontos mínimos. Isso é uma propriedade matemática central:
Quando \(CMg < CTMe\), então \(CTMe\) está diminuindo.
Quando \(CMg > CTMe\), então \(CTMe\) está aumentando.
Portanto, o ponto de cruzamento indica o valor mínimo dos custos médios.
5. Implicações para decisões da firma
O exemplo permite discutir decisões típicas de uma firma no curto prazo:
A firma maximiza o lucro quando \(P = CMg\), ou seja, o preço se iguala ao custo marginal.
O ponto de mínimo do \(CTMe\) pode indicar a escala eficiente de produção.
A análise permite discutir o ponto de encerramento da firma no curto prazo, quando o preço não cobre o custo variável médio.
6. Curto prazo e estrutura de custos
Como o capital é fixo, estamos no curto prazo. A presença de custo fixo (\(CF\)) e o comportamento dos custos refletem as restrições técnicas enfrentadas pela firma.
No longo prazo, todos os fatores são variáveis, não há custo fixo, e a forma das curvas de custo pode ser diferente.