O oligopólio é uma estrutura de mercado caracterizada por um pequeno número de firmas que interagem estrategicamente. As decisões de cada firma afetam e são afetadas pelas decisões das outras firmas.
Características do Oligopólio
Poucas firmas: Pequeno número de vendedores
Interdependência estratégica: As decisões de uma firma afetam as outras
Barreiras à entrada: Impedem ou dificultam a entrada de novas firmas
Produtos homogêneos ou diferenciados: Dependendo do mercado
Pense nos mercados que você observa no dia a dia: na maioria deles não há infinitas empresas pequenas, nem apenas uma firma dominante. O caso típico está no meio.
O oligopólio é a estrutura de mercado mais comum na prática, situada entre dois “extremos” já estudados:
Concorrência perfeita: muitas firmas, entrada livre, lucro econômico tende a zero (um benchmark teórico).
Monopólio: uma firma, define preço/quantidade com poder de mercado (existe, mas é menos comum).
No oligopólio, há poucas firmas competindo. O exemplo motivador é a indústria automobilística: há várias empresas, mas não tantas a ponto de gerar um resultado “quase competitivo”, e também não tão poucas a ponto de cada uma agir como monopolista isolado.
Duas possibilidades no oligopólio: cooperar ou competir
Em mercados com poucas firmas, existem duas possibilidades conceituais:
Comportamento cooperativo: as firmas tentam agir como um “monopólio coletivo” formando um cartel.
Comportamento não cooperativo: as firmas não conseguem (ou não querem) firmar e sustentar acordos e acabam competindo estrategicamente.
O cartel é ilustrado com o caso clássico da OPEC, que buscaria coordenar produção e preços para maximizar lucros conjuntos, “como se” fosse um monopolista compartilhado.
Na prática, o caso mais comum é o oligopólio não cooperativo. Para analisá-lo, a ferramenta natural é a teoria dos jogos.
Teoria dos jogos: estratégia e equilíbrio (Nash)
Apresenta-se a ideia de modelar a interação entre firmas como um jogo, destacando dois elementos:
Estratégia: o que cada agente escolhe fazer.
Equilíbrio: quando o jogo “para” em um resultado estável.
A noção central é o Equilíbrio de Nash:
Um perfil de estratégias em que nenhum jogador quer mudar sua estratégia, dado o que os outros estão fazendo.
Em termos intuitivos: mantendo as escolhas dos outros fixas, eu não consigo melhorar meu resultado mudando sozinho.
Ver filme: A Beautiful Mind (en) Uma Mente Brilhante (pt)
Exemplo didático: matriz de payoffs do Dilema do Prisioneiro.
Em cada célula aparece um par \((\pi_A, \pi_B)\): o primeiro número é o resultado do prisioneiro A (linha) e o segundo é o do prisioneiro B (coluna).
Aqui, o payoff é medido em anos de prisão. Assim, números menores significam um resultado melhor (menos tempo preso).
Prisioneiro A \ Prisioneiro B
Silêncio
Delatar
Silêncio
(1, 1)
(5, 0)
Delatar
(0, 5)
(3, 3)
Leitura rápida das células:
\((1, 1)\): ambos ficam em silêncio → cada um pega 1 ano.
\((5, 0)\): A fica em silêncio e B delata → A pega 5 anos e B sai livre.
\((0, 5)\): A delata e B fica em silêncio → A sai livre e B pega 5 anos.
\((3, 3)\): ambos delatam → cada um pega 3 anos.
Equilíbrio de Nash
Situação em que, em um jogo envolvendo dois ou mais jogadores, nenhum jogador tem a ganhar mudando sua estratégia unilateralmente.
Dilema do Prisioneiro: competição pode gerar resultado pior
O ponto central é separar duas ideias: (i) cada pessoa escolhe apenas sua ação, sem controlar a do outro; (ii) dadas as regras do jogo, cada um escolhe a ação que é melhor para si, antecipando o que pode acontecer.
Cada prisioneiro escolhe ficar em silêncio ou delatar (falar).
Como o payoff é anos de prisão, cada um prefere o menor número possível.
Estratégia dominante de A (comparando as duas opções de A, para cada possível ação de B):
Se B ficar em silêncio: A compara 1 (silêncio) com 0 (delatar) → A prefere delatar.
Se B delatar: A compara 5 (silêncio) com 3 (delatar) → A prefere delatar.
Logo, delatar é estratégia dominante para A.
Estratégia dominante de B é análoga: independentemente do que A faça, B também reduz sua pena ao delatar.
Quando cada um joga sua estratégia dominante, o resultado é (Delatar, Delatar), com payoff (3, 3). Esse perfil é um equilíbrio de Nash: dado que o outro está delatando, ninguém melhora sozinho mudando de ação.
A tensão do dilema é que (3, 3) é pior para ambos do que o resultado cooperativo (1, 1), mas sem coordenação/compromisso cada jogador olha para a própria decisão e acaba escolhendo delatar.
Exemplo econômico análogo: guerra de propaganda (Coke × Pepsi)
O dilema é traduzido para um contexto de oligopólio:
Mercado de refrigerantes: US$ 16 bi.
Sem propaganda, as empresas dividem o mercado: 8 e 8.
Propaganda custa 5.
Payoffs (em bilhões) simplificados:
Se ninguém anuncia: (8, 8)
Se um anuncia e o outro não: quem anuncia “ganha o mercado” e fica com (11, 0) ou (0, 11)
Se ambos anunciam: (3, 3)
Matriz de payoffs (em bilhões).
Em cada célula: \((\pi_{Coke}, \pi_{Pepsi})\).
Coke \ Pepsi
Não anunciar
Anunciar
Não anunciar
(8, 8)
(0, 11)
Anunciar
(11, 0)
(3, 3)
A mensagem:
A estratégia dominante em não cooperação é anunciar.
O equilíbrio de Nash vira (3, 3), pior que o resultado cooperativo (8, 8).
Um caso real relacionado: durante anos, marcas de destilados evitavam anunciar na TV, não por lei, mas por um tipo de acordo/coordenação que depois colapsou, e a propaganda passou a ocorrer.
Mercado de peças de motos em Mato Grosso
Como “sustentar cooperação” sem acordo explícito: jogos repetidos
Em jogos repetidos, pode ser possível sustentar o resultado cooperativo via ameaças/punições.
Exemplo empresas de wiskey nos EUA:
“Eu não anuncio enquanto você não anunciar; se você anunciar uma vez, eu anuncio para sempre.”
Use a matriz de propaganda (Coke × Pepsi) para dar números a essa ideia.
Suponha que a Pepsi esteja pensando em anunciar no período 1.
Se a Pepsi anunciar no período 1 e a Coca-Cola cumprir a ameaça (anunciar para sempre a partir daí), o caminho de payoffs da Pepsi é:
\[11 + 3 + 3 + 3 + \cdots\]
Se a Pepsi não anunciar no período 1 e ambas mantiverem “não anunciar” para sempre, o payoff da Pepsi é:
\[8 + 8 + 8 + 8 + \cdots\]
Como \(8 > 3\), para um horizonte suficientemente longo (e especialmente no caso infinito), a ameaça muda o incentivo: ao antecipar que depois do primeiro desvio a rival passa a anunciar para sempre, a Pepsi pode preferir não desviar.
Se o jogo for infinito (ou se o futuro for suficientemente relevante), a punição futura pode tornar vantajoso não desviar hoje.
Mas se o jogo tiver um fim conhecido (horizonte finito), a cooperação tende a desmoronar por indução retroativa:
no último período, não há punição futura → incentiva desvio;
antecipando isso, desvia-se antes → e assim por diante.
comportamentos oportunistas dependem da previsão da capacidade de punição.
não pagar a conta na cantina da faculdade (puder punição elevado)
não pagar a conta em uma cantina em outro estado (baixo poder de punição)
Do “Nash genérico” ao modelo de Cournot
A partir daqui, o foco passa para um modelo específico de oligopólio não cooperativo: o modelo de Cournot, em que firmas escolhem quantidades.
Definição (interpretação de Nash em Cournot):
O equilíbrio de Cournot é o conjunto de quantidades
\((q_1, q_2, \dots)\) tal que, mantendo fixas as quantidades das outras firmas, nenhuma firma consegue aumentar seu lucro mudando apenas sua própria quantidade.
A estratégia deixa de ser “A ou B” e vira uma escolha contínua (um conjunto grande de quantidades possíveis), então o objeto central passa a ser a curva (função) de melhor resposta.
O equilíbrio de Cournot
É um modelo de oligopólio onde empresas concorrentes decidem simultaneamente a quantidade de produção para maximizar lucros, assumindo fixa a produção do rival.
Exemplo numérico (companhias aéreas) e comparação entre estruturas
Considere um exemplo estilizado de duas companhias (American e United) numa rota (NY–Chicago), assumindo simetria e custo marginal constante:
Demanda inversa: \(P = 339 - Q\)
Custo marginal: \(CMg = 147\)
Sendo \(Q\) quantidade de passageiros por trimestre, temos:
No modelo de Cournot, cada firma escolhe simultaneamente a quantidade que vai produzir, tratando a produção da rival como dada. O problema estratégico é: qual a quantidade que maximiza meu lucro, dado o que espero que a outra produza?
Considere duas companhias aéreas — American (A) e United (U) — disputando a rota Nova York–Chicago. A demanda inversa do mercado é:
\[
P = 339 - q_A - q_U
\]
onde \(q_A\) e \(q_U\) representam milhares de passageiros por trimestre transportados por cada firma. O custo marginal, constante e igual ao custo médio, é \(CMg = CMe = 147\).
Um cenário concreto: \(q_U = 64\)
Suponha que a American espera que a United transporte 64 mil passageiros no trimestre. Dos 339 mil passageiros potenciais do mercado, 64 mil já serão atendidos pela rival. A demanda que resta para a American — a demanda residual — é obtida substituindo \(q_U = 64\) na demanda de mercado:
\[
P = 339 - q_A - 64 = 275 - q_A
\]
A curva \(D^r\) na Figura 23.2 representa exatamente isso: é a demanda de mercado \(D\) deslocada 64 unidades para a esquerda. O intercepto vertical cai de 339 para 275 — se a American não transportar nenhum passageiro, o preço máximo que o mercado sustenta é $275, não mais $339, pois a United já está atendendo parte da demanda.
A partir da demanda residual, a receita marginal residual é:
\[
RMg^r = 275 - 2\,q_A
\]
com o dobro da inclinação da demanda residual, exatamente como no caso de monopólio.
Maximização do lucro
Uma vez obtida a demanda residual, a American resolve um problema idêntico ao de um monopolista — a única diferença é que o “mercado” já encolheu por causa da produção da rival. A receita da firma é o preço (dado pela demanda residual) multiplicado pela quantidade:
A condição de primeira ordem iguala a receita marginal residual ao custo marginal — cada passageiro adicional deve gerar receita pelo menos igual ao custo de transportá-lo:
O preço resultante é \(P = 275 - 64 = 211\), bem acima do custo marginal de $147. Essa margem (\(P - CMg = 64\)) é a essência do poder de mercado em oligopólio: com poucas firmas, cada uma enfrenta uma curva de demanda com inclinação negativa e consegue cobrar um preço superior ao custo marginal — embora inferior ao que um monopolista cobraria sobre a demanda de mercado inteira.
Código
suppressPackageStartupMessages({library(ggplot2)library(grid)library(tibble)})# ----- Parâmetros -----mc <-147q_U <-64# Demanda de mercado: P = 339 - Q (Q = q_A + q_U)# Demanda residual da firma A: P = (339 - q_U) - q_A = 275 - q_A# RMg residual: 275 - 2*q_A# Condição: 339 - 2*q_A - q_U - 147 = 0 => q_A* = (192 - q_U)/2intercept_D <-339intercept_Dr <- intercept_D - q_U # 275p_demanda <-function(Q) intercept_D - Qp_demanda_r <-function(Q) intercept_Dr - Qp_mr_r <-function(Q) intercept_Dr -2* Q# Soluçãoq_A_star <- (192- q_U) /2# 64P_eq <-p_demanda_r(q_A_star) # 211# ----- Dados -----Q_max <-339Q_seq <-seq(0, Q_max, length.out =500)df <-tibble(Q = Q_seq,Demanda =p_demanda(Q_seq),Demanda_r =p_demanda_r(Q_seq),MR_r =p_mr_r(Q_seq))# ----- Gráfico -----ggplot() +# D — demanda de mercado (azul claro)geom_line(data = df, aes(x = Q, y = Demanda),colour ="#64B5F6", linewidth =1.4) +# D^r — demanda residual (azul escuro)geom_line(data = df[df$Demanda_r >=0, ],aes(x = Q, y = Demanda_r),colour ="#1565C0", linewidth =1.4) +# RMg^r — receita marginal residual (roxo)geom_line(data = df[df$MR_r >=0, ],aes(x = Q, y = MR_r),colour ="#7B1FA2", linewidth =1.4) +# CMg (vermelho)geom_segment(aes(x =0, xend = Q_max, y = mc, yend = mc),colour ="#D32F2F", linewidth =1.3) +# ----- Linhas tracejadas -----# Vertical q_A* = 64 (do eixo x até P_eq)annotate("segment", x = q_A_star, xend = q_A_star, y =0, yend = P_eq,linetype ="dashed", colour ="black", linewidth =0.9) +# Horizontal P = 211 (do eixo y até q_A*)annotate("segment", x =0, xend = q_A_star, y = P_eq, yend = P_eq,linetype ="dashed", colour ="black", linewidth =0.9) +# Vertical q_A = 128 (onde D^r cruza CMg: 275 - q = 147 => q = 128)annotate("segment", x =128, xend =128, y =0, yend = mc,linetype ="dashed", colour ="black", linewidth =0.9) +# Vertical q_A = 137.5 (onde RMg^r = 0: 275 - 2q = 0 => q = 137.5)annotate("segment", x =137.5, xend =137.5, y =0, yend =p_mr_r(137.5),linetype ="dashed", colour ="black", linewidth =0.9) +# ----- Ponto de equilíbrio -----annotate("point", x = q_A_star, y = P_eq, size =4, colour ="black") +# ----- Seta q_U = 64 -----annotate("segment",x =120, xend = q_A_star +4,y =260, yend = P_eq +4,arrow =arrow(length =unit(8, "pt"), type ="closed"),linewidth =0.8, colour ="black") +annotate("text", x =125, y =260,label ="q[U] == 64", parse =TRUE,size =4.5, hjust =0) +# ----- Rótulos das curvas -----annotate("text", x =300, y =p_demanda(300) +10,label ="D", colour ="#64B5F6", size =5, fontface ="bold") +annotate("text", x =250, y =p_demanda_r(250) +10,label ="D^r", colour ="#1565C0", size =5, fontface ="bold", parse =TRUE) +annotate("text", x =125, y =p_mr_r(125) +12,label ="RMg^r", colour ="#7B1FA2", size =5, fontface ="bold", parse =TRUE, hjust =-0.4) +annotate("text", x =310, y = mc +12,label ="CMg", colour ="#D32F2F", size =5, fontface ="bold") +# ----- Eixos com setas -----annotate("segment", x =0, xend = Q_max *1.05, y =0, yend =0,arrow =arrow(length =unit(6, "pt")),linewidth =0.7, colour ="grey40") +annotate("segment", x =0, xend =0, y =0, yend =350,arrow =arrow(length =unit(6, "pt")),linewidth =0.7, colour ="grey40") +# ----- Escalas -----scale_x_continuous(limits =c(0, Q_max *1.08),breaks =c(64, 128, 137.5, 275, 339),labels =c("64", "128", "137,5", "275", "339"),expand =c(0, 0) ) +scale_y_continuous(limits =c(0, 355),breaks =c(147, 211, 275, 339),labels =c("147", "211", "275", "339"),expand =c(0, 0) ) +labs(x =expression(bold(q[A] ~", milhares de passageiros por trimestre")),y ="p, $ por passageiro" ) +theme_minimal(base_size =13) +theme(panel.grid =element_blank(),axis.title =element_text(face ="bold"),axis.text.x =element_text(angle =90, vjust =0.5, hjust =1) )
Figura 23.2: Duopólio — Demanda, RMg e CMg
Leitura do gráfico
Na Figura 23.2, a seta com \(q_U = 64\) indica o deslocamento da demanda de mercado (\(D\)) para a demanda residual (\(D^r\)). A partir daí, o problema da firma A é puramente monopolístico:
\(D^r\) intercepta o eixo vertical em 275 e o eixo horizontal em 275.
\(RMg^r\) intercepta o eixo horizontal em 137,5 (metade do intercepto de \(D^r\)).
A quantidade ótima, \(q_A^* = 64\), está onde \(RMg^r\) cruza \(CMg\).
\(D^r\) cruza \(CMg\) em \(q_A = 128\) — acima de 128 mil passageiros, o preço não cobriria sequer o custo marginal.
O ponto preto marca a combinação \((q_A^* = 64,\; P = 211)\): a melhor resposta da American quando a United transporta 64 mil passageiros.
Da solução particular à função de melhor resposta
No caso particular acima, fixamos \(q_U = 64\) e encontramos \(q_A^* = 64\). Mas a American não sabe de antemão quanto a United vai produzir. O raciocínio precisa valer para qualquer valor de \(q_U\).
Basta refazer a derivação mantendo \(q_U\) como variável. A demanda residual genérica é \(P = (339 - q_U) - q_A\), e o lucro da American fica:
Esta expressão é a função de melhor resposta (ou curva de reação) da firma A. Ela traduz a lógica estratégica do oligopólio: a quantidade ótima da American depende do que a rival faz. Quanto mais passageiros a United transporta, menor o mercado residual e menor a produção ótima da American — o coeficiente \(-\frac{1}{2}\) quantifica essa relação.
O resultado \(q_A^* = q_U = 64\) não é coincidência: como as firmas são simétricas (mesma estrutura de custos), no equilíbrio de Cournot-Nash ambas transportam a mesma quantidade de passageiros. Cada firma está fazendo o melhor que pode, dada a produção da outra — e nenhuma tem incentivo para desviar unilateralmente.
Aqui vai o texto completo reorganizado, integrando explicação conceitual, matemática e código de forma progressiva:
Da solução individual à curva de melhor resposta
Na seção anterior, encontramos que, quando a United transporta \(q_U = 64\) mil passageiros, a melhor resposta da American é também transportar \(q_A^* = 64\) mil. Mas o que aconteceria se a United transportasse uma quantidade diferente?
A resposta está na condição de primeira ordem, que vale para qualquer\(q_U\):
\[
q_A^* = 96 - \frac{1}{2}\,q_U
\]
Esta expressão é a curva de melhor resposta da firma A (linha azul na Figura 23.3). Cada ponto dessa curva corresponde ao pico de uma curva de lucro como a da Figura 23.2, calculado para um valor específico de \(q_U\). Alguns cenários ajudam a construir a intuição. Note que os valores de \(q_U\) na primeira coluna são hipotéticos — representam quanto a American imagina que a rival vai produzir — enquanto a segunda coluna mostra sua resposta ótima:
Se a United transporta…
A melhor resposta da American é…
\(q_U = 0\) (United ausente — American vira monopolista)
A lógica é direta: quanto mais passageiros a United transporta, menos mercado lucrativo resta para a American, e menor é sua quantidade ótima. O coeficiente \(-\frac{1}{2}\) quantifica essa relação — para cada mil passageiros a mais da United, a American reduz sua produção em 500.
Por simetria — ambas as firmas têm a mesma estrutura de custos — a curva de melhor resposta da United é:
O equilíbrio ocorre onde ambas as firmas estão simultaneamente sobre suas curvas de melhor resposta — isto é, na interseção das duas curvas. Substituindo uma na outra:
Por simetria, \(q_U^* = 64\). O preço de mercado é:
\[
P = 339 - 64 - 64 = 211
\]
O ponto preto na Figura 23.3 marca esse equilíbrio: \((q_A, q_U) = (64, 64)\). Nenhuma firma tem incentivo para desviar unilateralmente — se a American tentasse produzir mais ou menos que 64, dado que a United produz 64, seu lucro cairia. O mesmo vale para a United.
O equilíbrio de Cournot
O equilíbrio de Cournot ocorre no ponto de interseção das duas curvas de resposta. Nesse ponto, ambas as firmas estão escolhendo simultaneamente suas melhores respostas.
Como no exemplo o custo marginal é constante e igual ao custo médio, temos:
\[
CMg = CMe = 147
\]
A condição de ótimo (maximização de lucro) é \(MR_A = CMg\):
\[
339 - 2q_A - q_B = 147
\]
Reorganizando:
\[
2q_A = 339 - 147 - q_B = 192 - q_B
\]
Logo, a curva de melhor resposta da firma A é:
\[
q_A = 96 - \frac{1}{2}q_B
\]
Por simetria, a curva de resposta da firma B é:
\[
q_B = 96 - \frac{1}{2}q_A
\]
As linhas pontilhadas auxiliares mostram um contrafactual útil: se uma firma produzisse a quantidade de monopólio (\(q_A = 96\)), a rival responderia com apenas 48 — mas essa combinação \((96, 48)\)não é um equilíbrio, pois a firma que produz 96 não está na sua melhor resposta dado que a rival produz 48.
Código
suppressPackageStartupMessages({library(ggplot2)library(grid)library(tibble)})# ----- Funções de melhor resposta -----# American: q_A = 96 - (1/2) q_U# United: q_U = 96 - (1/2) q_Abr_A <-function(q_U) 96-0.5* q_Ubr_U <-function(q_A) 96-0.5* q_A# Equilíbrio de Cournotq_A_eq <-64q_U_eq <-64# ----- Gráfico -----ggplot() +# Curva de melhor resposta da American (azul)# q_A = 96 - 0.5*q_U => no plano (q_A, q_U): de (96, 0) a (0, 192)annotate("segment",x =0, xend =96,y =192, yend =0,colour ="#1E88E5", linewidth =1.5) +# Curva de melhor resposta da United (vermelho)# q_U = 96 - 0.5*q_A => no plano (q_A, q_U): de (0, 96) a (192, 0)annotate("segment",x =0, xend =192,y =96, yend =0,colour ="#D32F2F", linewidth =1.5) +# ----- Linhas pontilhadas -----# Equilíbrio: q_A = 64, q_U = 64annotate("segment", x =0, xend = q_A_eq, y = q_U_eq, yend = q_U_eq,linetype ="dotted", colour ="black", linewidth =0.9) +annotate("segment", x = q_A_eq, xend = q_A_eq, y =0, yend = q_U_eq,linetype ="dotted", colour ="black", linewidth =0.9) +# Contrafactual: q_A = 96, q_U = 48annotate("segment", x =0, xend =96, y =48, yend =48,linetype ="dotted", colour ="black", linewidth =0.9) +annotate("segment", x =96, xend =96, y =0, yend =48,linetype ="dotted", colour ="black", linewidth =0.9) +# ----- Ponto de equilíbrio -----annotate("point", x = q_A_eq, y = q_U_eq, size =4, colour ="black") +# ----- Rótulos -----annotate("text", x =30, y =155,label ="Curva de melhor resposta\nda American",colour ="#1E88E5", size =4, fontface ="bold", hjust =0) +annotate("text", x =120, y =30,label ="Curva de melhor resposta\nda United",colour ="#D32F2F", size =4, fontface ="bold", hjust =0, vjust =-2) +annotate("text", x = q_A_eq +2, y = q_U_eq +8,label ="Equilíbrio de\nCournot",size =3.8, hjust =0) +# ----- Eixos com setas -----annotate("segment", x =0, xend =205, y =0, yend =0,arrow =arrow(length =unit(6, "pt")),linewidth =0.7, colour ="grey40") +annotate("segment", x =0, xend =0, y =0, yend =205,arrow =arrow(length =unit(6, "pt")),linewidth =0.7, colour ="grey40") +# ----- Escalas -----scale_x_continuous(limits =c(0, 210),breaks =c(64, 96, 192),labels =c("64", "96", "192"),expand =c(0, 0) ) +scale_y_continuous(limits =c(0, 210),breaks =c(48, 64, 96, 192),labels =c("48", "64", "96", "192"),expand =c(0, 0) ) +labs(x =expression(bold(q[A] ~", milhares de passageiros por trimestre")),y =expression(bold(q[U] ~", milhares de passageiros por trimestre")) ) +theme_minimal(base_size =13) +theme(panel.grid =element_blank(),axis.title =element_text(face ="bold"),axis.text.x =element_text(angle =90, vjust =0.5, hjust =1) )
Figura 23.3: Curvas de melhor resposta e equilíbrio de Cournot
Substitutos estratégicos
As curvas de melhor resposta são negativamente inclinadas: um aumento na produção de uma firma induz uma redução na produção ótima da outra. Esse padrão caracteriza o que se chama de substituição estratégica — a variável de escolha de uma firma (quantidade) e a variável de escolha da rival “se movem em direções opostas”. O formato linear e decrescente das curvas é consequência direta de duas hipóteses do modelo: demanda linear e custo marginal constante.
Benchmark de concorrência perfeita
Em concorrência perfeita, cada firma é tomadora de preço. Assim, a condição de maximização de lucro no curto prazo é:
\[P = CMg\]
Como \(CMg = 147\), o preço competitivo é:
\[P_{PC} = 147\]
Para obter a quantidade total do mercado, substituímos esse preço na demanda inversa do mercado \(P = 339 - Q\):
A intuição discutida é que, no oligopólio, cada firma leva em conta sua própria restrição de lucro, mas não internaliza completamente o efeito de elevar \(Q\) sobre o preço (o “efeito de envenenamento” do preço) porque parte desse efeito recai também sobre o rival.
Cooperação - Cartel
Se a competição (Cournot) gera um resultado intermediário entre monopólio e competição perfeita, as firmas podem fazer melhor: em vez de competir, elas podem cooperar e agir como se fossem um monopólio coletivo — formando um cartel.
O cartel como monopólio coletivo
A lógica do cartel é simples: as firmas se reúnem, combinam produzir a quantidade de monopólio e dividem os lucros. No exemplo das companhias aéreas:
O cartel gera 12,5% mais lucro por firma do que a competição de Cournot (\(4.608\) vs. \(4.096\)), porque mantém o preço mais alto ao restringir a quantidade total ao nível de monopólio.
Por que os cartéis são instáveis?
Se o cartel é tão lucrativo, por que nem todos os mercados oligopolísticos formam cartéis? Há duas razões — uma que os economistas enfatizam e outra que os advogados enfatizam.
Razão econômica: o incentivo a trair
Os cartéis são fundamentalmente instáveis pela mesma razão que o dilema do prisioneiro gera um resultado subótimo: existe um incentivo individual a desviar do acordo.
Suponha que as firmas combinaram o cartel (\(q_A = q_U = 48\)). A American decide, secretamente, aumentar seus voos para 50. A quantidade total sobe para \(Q = 50 + 48 = 98\), e o preço cai:
O lucro total do mercado caiu de \(9.216\) para \(9.212\) — o cartel deixou de operar como monopólio, então o bolo total encolheu. Mas a distribuição mudou: a American ficou com uma fatia maior.
O que está acontecendo é uma versão do efeito envenenamento: ao aumentar a quantidade, o preço cai para todas as unidades vendidas no mercado. Porém, quando a American trapaceia, ela captura todo o benefício das duas unidades extras (vendeu 50 em vez de 48), mas divide o custo do envenenamento (a queda de preço de $243 para $241) com a United. A United sofre a redução de preço nas suas 48 unidades sem ganhar nada em troca.
Esse é o motivo fundamental da instabilidade: trair é individualmente racional. O trapaceiro ganha todo o benefício e arca com apenas metade dos custos. É exatamente a estrutura do dilema do prisioneiro aplicada ao oligopólio.
Razão jurídica: cartéis são ilegais
A segunda razão pela qual cartéis não dominam todos os mercados é que a legislação antitruste os proíbe. A origem dessa legislação remonta ao final do século XIX, a chamada Era dos Barões Ladrões (Gilded Age) nos EUA.
Standard Oil e os trusts. Famílias como os Rockefeller dominavam indústrias inteiras (petróleo, ferrovias). Os advogados da Standard Oil criaram uma estrutura chamada trust: todas as firmas do setor entregavam suas decisões de preço e produção a um conselho comum, que administrava a indústria como um monopólio e depois dividia os lucros. Era um cartel formalizado e operava abertamente.
Leis antitruste. A reação pública a esses trusts levou à criação das leis antitruste (antitrust laws), cujo objetivo é justamente impedir práticas colusivas e quebrar cartéis. O nome “antitruste” vem diretamente dessa história.
Por que as leis nem sempre funcionam
Os economistas argumentam que os incentivos importam mais que as leis — porque as leis nem sempre conseguem impedir a colusão. Dois casos ilustram esse ponto:
Estúdios de cinema e cinemas. Nas décadas de 1930–40, os grandes estúdios de Hollywood (Warner, MGM, Fox) começaram a comprar redes de cinemas. Um cinema da Warner só exibia filmes da Warner, eliminando a concorrência entre estúdios naquela localidade. Se a cidade tinha apenas um cinema e ele era da Warner, os filmes da MGM simplesmente não tinham acesso àquele mercado — uma prática anticompetitiva que as leis antitruste eventualmente desmontaram.
Sobretaxas de combustível nas companhias aéreas. Em 2004, a British Airways e a Virgin Atlantic — as duas companhias dominantes nas rotas transatlânticas — se reuniram em segredo e combinaram elevar coordenadamente as sobretaxas de combustível de $10 para $120 por passagem. Em vez de competir no preço, concordaram em não se undercut mutuamente. Funcionou por um tempo — até que os advogados da Virgin perceberam que se tratava de um jogo finito: em algum momento, um dos lados iria trair. Seguindo a lógica da indução retroativa, a Virgin decidiu ir primeiro ao regulador e denunciar o esquema. Resultado: a Virgin recebeu uma punição leve, e a British Airways pagou uma multa de $500 milhões. O que desfez o cartel não foi a lei — foi o incentivo econômico a desviar.
Resumo comparativo
Cartel
Cournot
Concorrência Perfeita
\(Q\) total
96
128
192
\(P\)
243
211
147
\(\pi\) por firma
4.608
4.096
0
O cartel maximiza os lucros conjuntos, mas é instável porque cada firma tem incentivo individual a desviar. O equilíbrio de Cournot é o resultado quando as firmas não conseguem cooperar — produzem mais e cobram menos que o cartel, mas ainda mantêm poder de mercado em relação à competição perfeita.
Bem-estar e número de firmas
Peso morto no oligopólio
O peso morto é proporcional à restrição de quantidade em relação ao nível competitivo. Sabemos pelo primeiro teorema fundamental do bem-estar que a competição perfeita (\(Q_{PC} = 192\), \(P_{PC} = 147\)) maximiza o bem-estar social. Qualquer passagem vendida a um preço acima de $147 é uma troca benéfica: o consumidor a compraria voluntariamente, e o custo de produzi-la está coberto.
À medida que a quantidade cai abaixo de 192, trocas mutuamente benéficas deixam de ocorrer — isso é o peso morto. O excedente do produtor sobe (preço mais alto), mas o excedente do consumidor cai mais rápido, e o bem-estar total diminui. Quanto mais se restringe a quantidade, maior o peso morto:
Discutimos uma firma (monopólio), duas firmas (Cournot) e infinitas firmas (competição perfeita). O que acontece com 3, 5, 10 firmas?
O equilíbrio de Cournot se aproxima da competição perfeita à medida que o número de firmas (\(n\)) cresce. À medida que \(n \to \infty\), o oligopólio converge para o resultado competitivo. À medida que \(n \to 1\), converge para o monopólio. O oligopólio cobre todo o espectro entre esses extremos, dependendo do número de firmas.
A regra do markup no oligopólio
No monopólio, o markup é determinado pela elasticidade-preço da demanda:
\[
\frac{P - CMg}{P} = -\frac{1}{\varepsilon}
\]
No oligopólio com \(n\) firmas, a fórmula se generaliza para:
O markup do oligopolista é disciplinado por dois fatores:
Número de firmas (\(n\)): quanto mais firmas no mercado, menor o markup e menores os lucros — efeito mecânico direto.
Elasticidade-preço da demanda (\(\varepsilon\)): quanto mais elástica a demanda, menor o markup — assim como no monopólio.
Note que quando \(n = 1\), a fórmula se reduz ao caso do monopólio. Quando \(n \to \infty\), o markup vai a zero — competição perfeita.
Efeito indireto do número de firmas
Além do efeito mecânico na fórmula do markup, \(n\) tem um efeito indireto: cartéis são mais difíceis de sustentar quando há muitas firmas. Mais membros significam mais incentivos a trair e mais dificuldade de monitoramento.
Exemplo do mercúrio. Por muito tempo, apenas Itália e Espanha vendiam mercúrio no mercado mundial. Formaram um cartel e mantiveram os preços elevados — semelhante ao que a OPEP faz com o petróleo. Porém, quando outros países (em particular a Rússia) começaram a produzir mercúrio, o cartel se desfez: não era possível formar uma coalizão confiável com os novos entrantes. O aumento de \(n\) destruiu a cooperação.
Políticas governamentais em mercados oligopolísticos
A política antitruste é a principal ferramenta governamental para lidar com oligopólios. A questão central é: quando a concentração de mercado causa dano ao consumidor e quando ela é resultado de eficiência?
O caso Google
O Google detém cerca de 92% do mercado de buscas na internet. Uma das razões é que o Google paga à Apple aproximadamente $10 bilhões por ano para ser o mecanismo de busca padrão nos iPhones. Como os consumidores tendem a manter as configurações padrão (default bias), essa prática consolida a dominância.
A questão jurídica é: o Google tem 92% de market share porque é um produto melhor (o que seria legítimo) ou porque pagou para excluir concorrentes do acesso aos consumidores (o que seria anticompetitivo)? O juiz precisa distinguir entre dominância por mérito e dominância por exclusão.
O caso Amazon
A Amazon detém mais de 50% do mercado de compras online. Cerca de 40% dos produtos vendidos na Amazon vêm do Marketplace — vendedores terceiros que usam a plataforma. A Amazon cobra desses vendedores taxas elevadas (cerca de 25% dos lucros), além de cobranças adicionais por posicionamento nos resultados de busca.
O governo argumenta que a Amazon, ao dominar as buscas de compras online, tem poder de monopólio sobre o acesso dos vendedores aos consumidores. A Amazon responde que representa apenas 8% do mercado total de varejo nos EUA — incluindo lojas físicas —, e que os vendedores podem sempre vender em lojas de rua. A definição do mercado relevante (só online vs. todo o varejo) é o ponto central da disputa.
Fusões de hospitais
O caso típico de política antitruste não envolve gigantes tecnológicos, mas sim fusões entre empresas. A questão é um trade-off entre dois efeitos:
Eficiência: ao se fundir, dois hospitais podem compartilhar recursos, reduzir capacidade ociosa e gerar economias de escala — reduzindo custos.
Poder de mercado: com menos competidores, o hospital resultante pode cobrar preços mais altos.
Por décadas, fusões hospitalares foram permitidas livremente, sob a premissa de que os ganhos de eficiência dominariam. A evidência empírica mostrou o oposto: hospitais que se fundiram não se tornaram mais eficientes — simplesmente aumentaram os preços. Essa constatação levou a um endurecimento da política antitruste para fusões no setor de saúde.
Modelo de Bertrand: competição por preço
No modelo de Cournot, as firmas escolhem quantidades e o mercado determina o preço. Mas em muitos mercados, o que observamos é o oposto: firmas escolhem preços e o mercado determina a quantidade vendida. Essa é a premissa do modelo de Bertrand.
O resultado radical de Bertrand
A conclusão do modelo de Bertrand é radicalmente diferente da de Cournot: com competição por preço, bastam duas firmas para se atingir o resultado de competição perfeita.
A lógica é a mesma da entrada livre: se a American cobra acima do custo marginal, a United pode cobrar um pouco menos e capturar todo o mercado. A American responde cobrando ainda menos. Esse processo de undercutting continua até que \(P = CMg\). No equilíbrio de Bertrand:
É um resultado extremo: uma firma e monopólio, duas firmas (ou mais) e já temos competição perfeita. Não existe um “meio-termo” oligopolístico como em Cournot.
Quando usar cada modelo?
Na prática, a escolha entre Cournot e Bertrand depende das características do mercado:
Competição por preço (Bertrand) é mais adequada quando a firma pode atender instantaneamente a demanda adicional. Exemplo: cereais matinais — se o preço cai e a demanda dobra, a fábrica produz mais e abastece as prateleiras no dia seguinte.
Competição por quantidade (Cournot) é mais adequada quando existem defasagens de produção. Exemplo: automóveis — se a demanda dobra, são necessários meses para ampliar a produção. A firma não pode simplesmente reduzir o preço e atender toda a demanda.
Na realidade, a maioria dos mercados é uma mistura dos dois modelos. Mas a intuição é: indústrias com produção rápida e flexível se aproximam de Bertrand; indústrias com processos complexos e lentos se aproximam de Cournot.
Referências
BAIDYA, T. K. N.; AIUBE, F. A. L.; MENDES, M. R. DA C. Fundamentos de microeconomia. [s.l.] Interciência, 2014.
PERLOFF, J. M. Microeconomics with Calculus, Global Edition. 5. ed. [s.l.] Pearson, 2022.
PINDYCK, R. S.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. [s.l.] Pearson Education do Brasil, 2013.