Maximização de Lucro

Autor
Afiliação

Roney Fraga Souza

Universidade Federal de Mato Grosso

Data de Publicação

2026-04-30

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Símbolo Significado
\(RT(q) = P \cdot q\) receita total
\(CT(q)\) custo total (inclui custo de oportunidade)
\(\pi(q) = RT(q) - CT(q)\) lucro econômico
Lucro normal retorno de oportunidade dos recursos próprios
Lucro contábil \(RT -\) desembolsos monetários

Desenvolvimento Teórico

Definição de lucro econômico. É a diferença entre receita total e custo econômico total. O custo econômico inclui o custo de oportunidade dos recursos do proprietário (capital próprio, tempo, marca), não apenas desembolsos monetários.

\[\pi(q) = RT(q) - CT(q)\]

Lucro econômico × contábil. A diferença é o custo implícito: quanto o proprietário deixa de ganhar em outra ocupação. Exemplo: dono de loja ganha 500 mil por ano na própria loja mas poderia ganhar 200 mil como assalariado e 100 mil alugando o imóvel que ocupa. Custo de oportunidade = 300 mil. Lucro contábil = 500 mil; lucro econômico = 200 mil.

Lucro normal. Lucro econômico zero. O proprietário está indiferente entre continuar na atividade atual e o melhor uso alternativo dos recursos. Em mercados competitivos com entrada livre, o lucro de longo prazo tende a esse nível (callout 7).

Objetivo da firma. A teoria assume que a firma maximiza lucro econômico. Essa hipótese pode ser mais ou menos realista (em firmas gerenciais com separação entre propriedade e controle, gerentes podem buscar crescimento ou prestígio), mas é ponto de partida útil.

Função lucro envelope. Quando escrita em termos de preços do produto e dos fatores,

\[\pi^*(P, w, r) = \max_{q, L, K} \{ P \cdot q - wL - rK : q = f(L, K) \}\]

é chamada função lucro e tem propriedades análogas à função custo (homogênea grau 1 em preços, convexa em preços, resultado de Hotelling). Não será o foco principal do capítulo.

Exercício Resolvido

Uma padaria tem receita anual de 800 mil e despesas monetárias de 500 mil. O proprietário poderia trabalhar em outra empresa ganhando 120 mil e receberia 40 mil/ano alugando o imóvel (que ele mesmo usa na padaria). Calcular lucro contábil e econômico.

Passo 1: calcular o lucro contábil

\[\begin{aligned} \pi_{\text{contábil}} &= RT - \text{despesas monetárias} & & \text{definição} \\[6pt] &= 800 - 500 & & \text{substituindo} \\[6pt] &= 300 & & \text{em mil \$} \end{aligned}\]

\[\boxed{\pi_{\text{contábil}} = 300 \text{ mil}}\]

Passo 2: identificar o custo de oportunidade (custo implícito)

\[\begin{aligned} CI &= \text{salário alternativo} + \text{aluguel não-recebido} & & \text{definição} \\[6pt] &= 120 + 40 & & \text{substituindo} \\[6pt] &= 160 & & \text{em mil \$} \end{aligned}\]

\[\boxed{CI = 160 \text{ mil}}\]

Passo 3: calcular o lucro econômico

\[\begin{aligned} \pi_{\text{econômico}} &= \pi_{\text{contábil}} - CI & & \text{definição} \\[6pt] &= 300 - 160 & & \text{substituindo Passos 1 e 2} \\[6pt] &= 140 & & \text{em mil \$} \end{aligned}\]

\[\boxed{\pi_{\text{econômico}} = 140 \text{ mil}}\]

Passo 4: interpretar

Lucro econômico positivo (140) indica que a padaria é mais lucrativa que a melhor alternativa. Se \(CI\) fosse 300 (ex.: proprietário é engenheiro com salário mais alto), \(\pi_{\text{econômico}} = 0\): lucro normal, indiferença entre atividades.

Interpretação

Lucro econômico ≤ contábil. Sempre. A diferença é o custo implícito. Se \(\pi_{\text{econômico}} > 0\), a firma gera rendimento acima da melhor alternativa para seus recursos: sinal de entrada de concorrentes no longo prazo.

Ponto de referência. Em análise econômica, o “lucro zero” relevante é o lucro econômico zero: não contábil. Uma firma pode ter lucro contábil substancial e ainda estar perdendo dinheiro relativamente à alternativa.

Relação com bem-estar. Lucro econômico persistente é sinal de poder de mercado ou recurso escasso. Em concorrência perfeita de longo prazo, o lucro econômico converge a zero (callout 7).

Ver Nicholson e Snyder (2012, cap. 11, §11.1).

Símbolo Significado
\(RMg(q) = dRT/dq\) receita marginal
\(CMg(q) = dCT/dq\) custo marginal
CPO \(RMg = CMg\)
CSO \(CMg\) crescente em \(q^*\) (ou \(d^2\pi/dq^2 < 0\))

Desenvolvimento Teórico

Problema. Maximizar \(\pi(q) = RT(q) - CT(q)\).

Condição de primeira ordem. Derivando:

\[\frac{d\pi}{dq} = \frac{dRT}{dq} - \frac{dCT}{dq} = RMg(q) - CMg(q) = 0\]

\[\boxed{RMg(q^*) = CMg(q^*)}\]

Intuição: produzir até o ponto onde a próxima unidade gera a mesma receita adicional que o custo adicional.

Condição de segunda ordem. Para garantir máximo (não mínimo):

\[\frac{d^2\pi}{dq^2} < 0 \quad \Leftrightarrow \quad \frac{dRMg}{dq} < \frac{dCMg}{dq}\]

Em concorrência perfeita (\(RMg = P\) constante), a CSO reduz a \(dCMg/dq > 0\), ou seja, CMg crescente no ótimo.

Múltiplas soluções. A CPO pode ter mais de uma raiz. Aplicar a CSO para filtrar. Exemplo típico: \(CMg\) em U intersecta \(RMg\) horizontal em dois pontos; o ponto onde \(CMg\) é crescente é o máximo; onde é decrescente, é mínimo (inflexão).

Se \(\pi(q^*) < 0\): a CPO ainda pode identificar o ponto de menor prejuízo. A decisão de produzir ou fechar é separada: callout 4 (regra de fechamento).

Exercício Resolvido

Firma tomadora de preço com \(P = 20\) e \(CT(q) = q^2 + 4q + 10\). Maximizar.

Passo 1: escrever o lucro em função de \(q\)

\[\begin{aligned} \pi(q) &= RT(q) - CT(q) = Pq - CT(q) & & \text{definição} \\[6pt] &= 20q - (q^2 + 4q + 10) & & \text{substituindo } P = 20 \text{ e } CT \\[6pt] &= -q^2 + 16q - 10 & & \text{simplificando} \end{aligned}\]

\[\boxed{\pi(q) = -q^2 + 16q - 10}\]

Passo 2: aplicar CPO \(d\pi/dq = 0\)

\[\begin{aligned} \frac{d\pi}{dq} &= -2q + 16 = 0 & & \text{CPO} \\[6pt] q^* &= 8 & & \text{resolvendo} \end{aligned}\]

\[\boxed{q^* = 8}\]

Passo 3: verificar pela forma equivalente \(RMg = CMg\)

\[\begin{aligned} RMg &= P = 20 & & \text{receita marginal (concorrência perfeita)} \\[6pt] CMg &= \frac{dCT}{dq} = 2q + 4 & & \text{derivando } CT \\[6pt] 20 &= 2q + 4 & & \text{igualando} \\[6pt] q^* &= 8 \; \checkmark & & \text{consistente com o Passo 2} \end{aligned}\]

Passo 4: verificar CSO (máximo, não mínimo)

\[\begin{aligned} \frac{d^2\pi}{dq^2} &= -2 < 0 & & \text{CSO satisfeita} \\[6pt] \frac{dCMg}{dq} &= 2 > 0 & & \text{equivalentemente, } CMg \text{ crescente} \end{aligned}\]

Máximo confirmado.

Passo 5: calcular o lucro ótimo

\[\begin{aligned} \pi(8) &= -(8)^2 + 16 \cdot 8 - 10 & & \text{substituindo em } \pi(q) \\[6pt] &= -64 + 128 - 10 & & \text{aritmética} \\[6pt] &= 54 & & \text{soma} \end{aligned}\]

\[\boxed{\pi^* = 54}\]

Valores numéricos: por que parar em \(q^* = 8\)

Avaliando \(RT\), \(CT\), \(\pi\) e \(CMg\) em \(q = 0, 1, \ldots, 16\).

\(q\) \(RT = 20q\) \(RMg = 20\) \(CT = q^2 + 4q + 10\) \(\pi = -q^2 + 16q - 10\) \(CMg = 2q + 4\)
0 0 20 10 \(-10\) 4
1 20 20 15 5 6
2 40 20 22 18 8
3 60 20 31 29 10
4 80 20 42 38 12
5 100 20 55 45 14
6 120 20 70 50 16
7 140 20 87 53 18
8 160 20 106 54 20
9 180 20 127 53 22
10 200 20 150 50 24
11 220 20 175 45 26
12 240 20 202 38 28
13 260 20 231 29 30
14 280 20 262 18 32
15 300 20 295 5 34
16 320 20 330 \(-10\) 36

Da tabela, \(\pi > 0\) aproximadamente entre \(q = 1\) e \(q = 15\) (faixa larga de lucro positivo), mas a decisão ótima é produzir só até \(q^* = 8\):

  • \(\Delta\pi > 0\) até \(q^* = 8\). Cada unidade até a 8ª acrescenta lucro ao acumulado, mesmo que cada vez menos. A 8ª contribui com apenas \(+1\), pois \(CMg(8) = 20 = RMg\): empate.
  • \(\Delta\pi < 0\) a partir de \(q = 9\). A 9ª unidade já custa mais (\(CMg = 22\)) do que rende (\(RMg = 20\)), reduzindo o lucro acumulado em \(-1\). Cada unidade adicional corrói o lucro acumulado até zerá-lo entre \(q = 15\) e \(q = 16\).

A condição \(RMg = CMg\) é a versão contínua de \(\Delta\pi = 0\): o ponto onde a próxima unidade nem aumenta nem diminui o lucro. Antes desse ponto, cada unidade acrescenta lucro; depois, cada unidade subtrai. Por isso o máximo está exatamente em \(RMg = CMg\).

Implementação em R

Código
cor1 <- "dodgerblue"
cor2 <- "firebrick"
cor3 <- "forestgreen"

q <- seq(0, 16, by = 0.1)

df <- tibble(
  q = q,
  RT = 20 * q,
  CT = q^2 + 4 * q + 10,
  pi = 20 * q - (q^2 + 4 * q + 10),
  RMg = 20,
  CMg = 2 * q + 4
)

p1 <- df |>
  pivot_longer(cols = c(RT, CT), names_to = "serie", values_to = "valor") |>
  ggplot(aes(x = q, y = valor, color = serie)) +
  geom_line(linewidth = 1.2) +
  geom_vline(xintercept = 8, linetype = "dashed", color = "gray50") +
  scale_color_manual(values = c(RT = cor1, CT = cor2)) +
  scale_x_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  scale_y_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  labs(
    title = "RT e CT: distância máxima em q* = 8",
    x = "q", y = "valor", color = NULL
  ) +
  theme_minimal(base_size = 13) +
  theme(
    axis.line = element_line(color = "black", linewidth = 0.8),
    legend.position = "bottom"
  )

p2 <- df |>
  pivot_longer(cols = c(RMg, CMg), names_to = "serie", values_to = "valor") |>
  ggplot(aes(x = q, y = valor, color = serie)) +
  geom_line(linewidth = 1.2) +
  geom_point(data = tibble(q = 8, valor = 20, serie = "CMg"),
             aes(x = q, y = valor), color = "black", size = 3, inherit.aes = FALSE) +
  annotate("text", x = 8.5, y = 22, label = "(q*, RMg=CMg)", size = 4) +
  scale_color_manual(values = c(RMg = cor3, CMg = cor2)) +
  scale_x_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  scale_y_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  labs(
    title = "RMg = CMg em q* = 8",
    x = "q", y = "valor", color = NULL
  ) +
  theme_minimal(base_size = 13) +
  theme(
    axis.line = element_line(color = "black", linewidth = 0.8),
    legend.position = "bottom"
  )

p1 + p2

Interpretação

Distância máxima entre RT e CT. Geometricamente, \(\pi(q)\) é a distância vertical entre as curvas de receita e custo. Essa distância é máxima onde as inclinações (RMg e CMg) se igualam.

Reabsorve intuições de custo. Em concorrência perfeita, a condição vira \(P = CMg\): o preço de mercado deve igualar o custo da última unidade produzida. Qualquer desvio gera incentivo a ajustar a produção.

CSO protege de mínimos. Sem a CSO, a CPO pode identificar o pior nível de produção (máximo prejuízo entre duas ineficiências). Checar sempre.

Ver Nicholson e Snyder (2012, cap. 11, §11.2).

Símbolo Significado
Firma tomadora de preço \(P\) exógeno, não depende de \(q\)
\(RT(q) = P \cdot q\) receita linear em \(q\)
\(RMg = P\) receita marginal constante e igual ao preço
\(P = CMg\) condição de ótimo em concorrência perfeita

Desenvolvimento Teórico

Hipóteses da concorrência perfeita.

  1. Muitas firmas: cada uma é pequena demais para afetar o preço de mercado.
  2. Produto homogêneo: consumidores indiferentes entre vendedores.
  3. Informação perfeita: preço conhecido por todos.
  4. Entrada e saída livres (longo prazo): sem barreiras.

Consequência para a firma individual: ela é tomadora de preço. Aumentar ou reduzir sua produção não muda o \(P\) de mercado.

Receita total linear.

\[RT(q) = P \cdot q\]

Reta passando pela origem com inclinação \(P\).

Receita marginal = preço.

\[RMg = \frac{dRT}{dq} = P\]

Constante.

Condição de ótimo. Substituindo \(RMg = P\) em \(RMg = CMg\):

\[\boxed{P = CMg(q^*)}\]

Interpretação da curva de oferta individual. A firma escolhe \(q^*\) tal que \(P = CMg\). Variar \(P\) percorre a curva \(CMg\): a curva de oferta da firma individual é o ramo crescente de \(CMg\) (acima do \(CVMe_{\min}\); ver callout 4).

Contraste com monopólio. Em monopólio, a firma enfrenta a curva de demanda decrescente; \(RMg < P\) (devido ao efeito-preço ao produzir mais); e o ótimo é \(RMg = CMg\) com \(P > CMg\). Preço acima do custo marginal gera margem monopolística: tema do capítulo 4 do livro.

Exercício Resolvido

Firma tomadora com \(CT(q) = q^3 - 12q^2 + 60q + 40\). Preço de mercado \(P = 60\). Encontrar \(q^*\) e \(\pi^*\).

Passo 1: derivar \(CMg\)

\[\begin{aligned} CMg(q) &= \frac{dCT}{dq} = \frac{d}{dq}\left(q^3 - 12q^2 + 60q + 40\right) & & \text{definição} \\[6pt] &= 3q^2 - 24q + 60 & & \text{regra da potência termo a termo} \end{aligned}\]

\[\boxed{CMg(q) = 3q^2 - 24q + 60}\]

Passo 2: aplicar CPO \(P = CMg\)

\[\begin{aligned} 60 &= 3q^2 - 24q + 60 & & \text{igualando } P \text{ a } CMg \\[6pt] 0 &= 3q^2 - 24q & & \text{simplificando} \\[6pt] 0 &= 3q(q - 8) & & \text{fatorando} \\[6pt] q &= 0 \; \text{ou} \; q = 8 & & \text{raízes} \end{aligned}\]

Passo 3: aplicar CSO para filtrar as raízes

\[\begin{aligned} CMg'(q) &= 6q - 24 & & \text{derivando } CMg \\[6pt] CMg'(0) &= -24 < 0 & & q = 0 \text{: mínimo (descartar)} \\[6pt] CMg'(8) &= 24 > 0 & & q = 8 \text{: máximo (reter)} \end{aligned}\]

\[\boxed{q^* = 8}\]

Passo 4: calcular o lucro ótimo

\[\begin{aligned} CT(8) &= 8^3 - 12 \cdot 8^2 + 60 \cdot 8 + 40 & & \text{substituindo em } CT(q) \\[6pt] &= 512 - 768 + 480 + 40 = 264 & & \text{aritmética} \\[6pt] RT(8) &= 60 \cdot 8 = 480 & & \text{receita total} \\[6pt] \pi^* &= RT(8) - CT(8) = 480 - 264 = 216 & & \text{lucro} \end{aligned}\]

\[\boxed{\pi^* = 216}\]

Implementação em R

Código
cor1 <- "dodgerblue"
cor2 <- "firebrick"
cor3 <- "forestgreen"

q <- seq(0, 14, by = 0.1)
df <- tibble(
  q = q,
  CMg = 3 * q^2 - 24 * q + 60,
  CTMe = (q^3 - 12 * q^2 + 60 * q + 40) / q,
  CVMe = (q^3 - 12 * q^2 + 60 * q) / q
)

ggplot(df, aes(x = q)) +
  geom_line(aes(y = CMg, color = "CMg"), linewidth = 1.2) +
  geom_line(aes(y = CTMe, color = "CTMe"), linewidth = 1.2) +
  geom_line(aes(y = CVMe, color = "CVMe"), linewidth = 1.2) +
  geom_hline(yintercept = 60, color = "black", linewidth = 1.2, linetype = "dashed") +
  geom_vline(xintercept = 8, color = "gray50", linetype = "dashed") +
  annotate("point", x = 8, y = 60, color = "black", size = 3) +
  annotate("text", x = 8.5, y = 65, label = "q* = 8", size = 4) +
  annotate("text", x = 13.5, y = 65, label = "P = 60 = RMg", color = "black", size = 4) +
  scale_color_manual(values = c(CMg = cor2, CTMe = cor1, CVMe = cor3)) +
  scale_x_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  scale_y_continuous(limits = c(0, 150), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  labs(
    title = "P = CMg em q* = 8 (com CTMe e CVMe)",
    x = "q", y = "custo/preço", color = NULL
  ) +
  theme_minimal(base_size = 13) +
  theme(
    axis.line = element_line(color = "black", linewidth = 0.8),
    legend.position = "bottom"
  )

Interpretação

Duas raízes, uma solução. A CPO quadrática tem duas raízes, mas apenas a raiz com CMg crescente é máximo. A outra (\(q = 0\)) é mínimo local (inflexão ou cúspide: produção mínima possível dado o custo fixo).

Margem positiva. Em \(q^* = 8\), \(CTMe(8) = 264/8 = 33 < P = 60\). A firma cobre seus custos médios e gera lucro econômico positivo. Em concorrência perfeita de curto prazo isso é compatível; no longo prazo, atrai entrada até \(P = CTMe_{\min}\) (callout 7).

Curva de oferta de curto prazo. Para outros preços, $q^* = $ inversa do \(CMg\) (ramo crescente). Se \(P = 80\): \(3q^2 - 24q + 60 = 80 \Rightarrow 3q^2 - 24q - 20 = 0 \Rightarrow q^* \approx 8{,}75\). À medida que \(P\) sobe, \(q^*\) sobe.

Ver Nicholson e Snyder (2012, cap. 11, §11.3).

Símbolo Significado
\(CVMe_{\min}\) mínimo do custo variável médio
\(P < CVMe_{\min}\) fechar (produzir \(q = 0\))
\(P \geq CVMe_{\min}\) produzir o \(q^*\) com \(P = CMg\)
Custo afundado \(CF\) no curto prazo (não recuperável ao parar)

Desenvolvimento Teórico

Dilema do curto prazo. No curto prazo, \(CF\) é afundado: gasta-se mesmo se a firma não produzir (aluguel, depreciação, contratos). A decisão relevante é: produzir ou parar temporariamente?

Comparação dos dois cenários.

  • Produzir \(q^*\) (com \(P = CMg\)): lucro = \(P q^* - CV(q^*) - CF\)
  • Parar (\(q = 0\)): lucro = \(-CF\) (só o custo fixo)

A firma prefere produzir se:

\[P q^* - CV(q^*) - CF \geq -CF\]

\[P q^* - CV(q^*) \geq 0\]

\[P \geq \frac{CV(q^*)}{q^*} = CVMe(q^*)\]

Regra compacta. No ótimo \(q^*\) de curto prazo, se \(P \geq CVMe_{\min}\), produzir. Se \(P < CVMe_{\min}\), fechar.

Por que \(CVMe_{\min}\) e não \(CTMe\)? Porque o \(CF\) é pago de qualquer jeito: não entra na decisão marginal de produzir ou não. Somente o custo variável importa.

Faixas de operação:

  • \(P < CVMe_{\min}\): fechar temporariamente.
  • \(CVMe_{\min} \leq P < CTMe_{\min}\): produzir com prejuízo, mas cobrindo \(CV\) e parte do \(CF\). Menor prejuízo que parar.
  • \(P = CTMe_{\min}\): lucro econômico zero (lucro normal).
  • \(P > CTMe_{\min}\): lucro econômico positivo.

Longo prazo. Sem custos afundados, a regra vira \(P \geq CTMe_{\min}\): se a firma não cobre \(CTMe\) mínimo, abandona a indústria.

Exercício Resolvido

Firma com \(CT(q) = q^3 - 6q^2 + 25q + 100\) e preço de mercado variável. Identificar faixas de decisão.

Passo 1: derivar as curvas-chave

\[\begin{aligned} CMg(q) &= \frac{dCT}{dq} = 3q^2 - 12q + 25 & & \text{regra da potência} \\[6pt] CVMe(q) &= \frac{CV}{q} = \frac{q^3 - 6q^2 + 25q}{q} = q^2 - 6q + 25 & & \text{dividindo } CV \text{ por } q \\[6pt] CTMe(q) &= \frac{CT}{q} = q^2 - 6q + 25 + \frac{100}{q} & & \text{dividindo } CT \text{ por } q \end{aligned}\]

Passo 2: achar o mínimo de \(CVMe\)

\[\begin{aligned} CVMe'(q) &= 2q - 6 = 0 & & \text{CPO} \\[6pt] q &= 3 & & \text{resolvendo} \\[6pt] CVMe(3) &= 9 - 18 + 25 = 16 & & \text{substituindo} \end{aligned}\]

\[\boxed{\min CVMe = 16 \text{ em } q = 3}\]

Passo 3: achar o mínimo de \(CTMe\)

\[\begin{aligned} CTMe'(q) &= 2q - 6 - \frac{100}{q^2} = 0 & & \text{CPO} \\[6pt] 2q^3 - 6q^2 - 100 &= 0 & & \text{multiplicando por } q^2 \\[6pt] 2(q - 5)(q^2 + 2q + 10) &= 0 & & \text{fatorando} \end{aligned}\]

Como \(q^2 + 2q + 10\) tem discriminante negativo (sem raízes reais), \(q = 5\) é a única raiz real.

\[CTMe(5) = 25 - 30 + 25 + 20 = 40\]

\[\boxed{\min CTMe = 40 \text{ em } q = 5}\]

Passo 4: faixas de decisão

Faixa de \(P\) Decisão Lucro
\(P < 16\) fechar \(-CF = -100\)
\(16 \leq P < 40\) produzir (prejuízo) \(-100 < \pi < 0\)
\(P = 40\) produzir (lucro normal) \(\pi = 0\)
\(P > 40\) produzir (lucro positivo) \(\pi > 0\)

Passo 5: exemplo concreto em \(P = 19{,}75\)

Do callout 5 (adiante): \(q^* = 3{,}5\), \(CVMe(3{,}5) = 16{,}25 < P = 19{,}75\). Produzir (mesmo com lucro negativo).

Implementação em R

Código
cor1 <- "dodgerblue"
cor2 <- "firebrick"
cor3 <- "forestgreen"
cor4 <- "darkorange"

q <- seq(0.5, 10, by = 0.05)

df <- tibble(
  q = q,
  CMg = 3 * q^2 - 12 * q + 25,
  CVMe = q^2 - 6 * q + 25,
  CTMe = q^2 - 6 * q + 25 + 100 / q
)

# Mínimos
q_cvme_min <- 3
p_cvme_min <- 16

q_ctme_min <- optimize(
  function(q) q^2 - 6 * q + 25 + 100 / q,
  interval = c(1, 10)
)$minimum
p_ctme_min <- q_ctme_min^2 - 6 * q_ctme_min + 25 + 100 / q_ctme_min

df |>
  pivot_longer(cols = c(CMg, CVMe, CTMe), names_to = "serie", values_to = "valor") |>
  ggplot(aes(x = q, y = valor, color = serie)) +
  geom_line(linewidth = 1.2) +
  geom_hline(yintercept = p_cvme_min, linetype = "dashed", color = cor3) +
  geom_hline(yintercept = p_ctme_min, linetype = "dashed", color = cor4) +
  annotate("text", x = 9, y = p_cvme_min + 2,
           label = paste0("Fechamento: P = ", round(p_cvme_min, 1)),
           color = cor3, size = 4, hjust = 1) +
  annotate("text", x = 9, y = p_ctme_min + 2,
           label = paste0("Lucro zero: P = ", round(p_ctme_min, 1)),
           color = cor4, size = 4, hjust = 1) +
  scale_color_manual(values = c(CMg = cor2, CVMe = cor3, CTMe = cor1)) +
  scale_x_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  scale_y_continuous(limits = c(0, 80), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  labs(
    title = "Regra de fechamento: faixas de decisão",
    x = "q", y = "custo/preço", color = NULL
  ) +
  theme_minimal(base_size = 13) +
  theme(
    axis.line = element_line(color = "black", linewidth = 0.8),
    legend.position = "bottom"
  )

Interpretação

Duas faixas de preço crítico. \(CVMe_{\min} = 16\) (em \(q = 3\)) separa “fechar” de “produzir”; \(CTMe_{\min} = 40\) (em \(q = 5\)) separa “produzir com prejuízo” de “produzir com lucro”. A faixa intermediária existe porque \(CF\) é afundado.

Curva de oferta de curto prazo. Para \(P \geq CVMe_{\min}\), a firma produz \(q^* = CMg^{-1}(P)\). Para \(P < CVMe_{\min}\), \(q^* = 0\). Assim, a curva de oferta individual de curto prazo é o ramo de \(CMg\) acima de \(CVMe_{\min}\).

Implicação para política. Setores enfrentando choque adverso temporário (pandemia, seca) podem operar com prejuízo sustentado por subsídios cobrindo a diferença \(CTMe - P\) sem desperdício: enquanto \(P \geq CVMe\), a produção agrega bem-estar vs. a alternativa de fechar.

Ver Nicholson e Snyder (2012, cap. 11, §11.3).

Item Alvo
a) Função custo marginal
b) Nível ótimo de produção \(q^*\)
c) CVMe no ponto ótimo
d) CTMe no ponto ótimo
e) CFMe no ponto ótimo
f) Lucro econômico (avaliação final)

Desenvolvimento Teórico

Função custo. Uma firma tomadora de preço em mercado competitivo tem:

\[C(q) = q^3 - 6q^2 + 25q + 100\]

com \(P = 19{,}75\). Aplicar as regras dos callouts 2–4 para encontrar \(q^*\) e avaliar custos médios.

Exercício Resolvido

Passo 1 (item a): derivar \(CMg\)

\[\begin{aligned} CMg(q) &= \frac{dC}{dq} = \frac{d}{dq}\left(q^3 - 6q^2 + 25q + 100\right) & & \text{definição} \\[6pt] &= 3q^2 - 12q + 25 & & \text{regra da potência termo a termo} \end{aligned}\]

\[\boxed{CMg(q) = 3q^2 - 12q + 25}\]

Passo 2 (item b): aplicar \(P = CMg\)

\[\begin{aligned} 3q^2 - 12q + 25 &= 19{,}75 & & \text{igualando } CMg \text{ a } P \\[6pt] 3q^2 - 12q + 5{,}25 &= 0 & & \text{movendo tudo para a esquerda} \end{aligned}\]

Passo 3: resolver a quadrática

\[\begin{aligned} q &= \frac{12 \pm \sqrt{144 - 63}}{6} & & \text{fórmula de Bháskara} \\[6pt] &= \frac{12 \pm \sqrt{81}}{6} = \frac{12 \pm 9}{6} & & \text{simplificando} \\[6pt] q_1 &= 0{,}5, \quad q_2 = 3{,}5 & & \text{duas raízes} \end{aligned}\]

Passo 4: aplicar CSO para filtrar as raízes

\[\begin{aligned} CMg'(q) &= 6q - 12 & & \text{derivando } CMg \\[6pt] CMg'(0{,}5) &= -9 < 0 & & q_1 \text{: mínimo local (descartar)} \\[6pt] CMg'(3{,}5) &= 9 > 0 & & q_2 \text{: máximo (reter)} \end{aligned}\]

\[\boxed{q^* = 3{,}5}\]

Passo 5 (item c): calcular \(CVMe(q^*)\)

\[\begin{aligned} CVMe(q) &= \frac{CV}{q} = q^2 - 6q + 25 & & \text{dividindo } CV \text{ por } q \\[6pt] CVMe(3{,}5) &= (3{,}5)^2 - 6 \cdot 3{,}5 + 25 & & \text{substituindo} \\[6pt] &= 12{,}25 - 21 + 25 = 16{,}25 & & \text{aritmética} \end{aligned}\]

\[\boxed{CVMe(q^*) = 16{,}25}\]

Passo 6 (item d): calcular \(CTMe(q^*)\)

\[\begin{aligned} CTMe(q) &= \frac{C(q)}{q} = q^2 - 6q + 25 + \frac{100}{q} & & \text{dividindo } C \text{ por } q \\[6pt] CTMe(3{,}5) &= 12{,}25 - 21 + 25 + \frac{100}{3{,}5} & & \text{substituindo} \\[6pt] &\approx 16{,}25 + 28{,}57 \approx 44{,}82 & & \text{aritmética} \end{aligned}\]

\[\boxed{CTMe(q^*) \approx 44{,}82}\]

Passo 7 (item e): calcular \(CFMe(q^*)\)

\[\begin{aligned} CFMe(q) &= \frac{CF}{q} = \frac{100}{q} & & \text{dividindo } CF \text{ por } q \\[6pt] CFMe(3{,}5) &= \frac{100}{3{,}5} \approx 28{,}57 & & \text{substituindo} \end{aligned}\]

\[\boxed{CFMe(q^*) \approx 28{,}57}\]

Verificação: \(CVMe + CFMe = 16{,}25 + 28{,}57 = 44{,}82 = CTMe \; \checkmark\)

Passo 8 (item f): calcular o lucro econômico

\[\begin{aligned} RT(3{,}5) &= P \cdot q^* = 19{,}75 \cdot 3{,}5 = 69{,}125 & & \text{receita total} \\[6pt] CT(3{,}5) &= (3{,}5)^3 - 6 \cdot (3{,}5)^2 + 25 \cdot 3{,}5 + 100 & & \text{substituindo em } C(q) \\[6pt] &= 42{,}875 - 73{,}5 + 87{,}5 + 100 = 156{,}875 & & \text{aritmética} \\[6pt] \pi &= RT - CT = 69{,}125 - 156{,}875 = -87{,}75 & & \text{lucro} \end{aligned}\]

\[\boxed{\pi = -87{,}75 \quad (\text{prejuízo})}\]

Passo 9: aplicar a regra de fechamento

\[\begin{aligned} P &= 19{,}75 > CVMe(3{,}5) = 16{,}25 & & \text{produzir (não fechar)} \\[6pt] P \cdot q^* - CV(q^*) &= 19{,}75 \cdot 3{,}5 - 16{,}25 \cdot 3{,}5 & & \text{parcela de } CF \text{ coberta} \\[6pt] &= 69{,}125 - 56{,}875 = 12{,}25 & & \text{aritmética} \end{aligned}\]

Sem operar, o prejuízo seria \(CF = 100\) integral. Produzindo: \(\pi = -87{,}75 > -100\), confirmando a decisão de manter a produção no curto prazo.

Implementação em R

Código
cor1 <- "dodgerblue"
cor2 <- "firebrick"
cor3 <- "forestgreen"

# Funções
CT   <- function(q) q^3 - 6 * q^2 + 25 * q + 100
CMg  <- function(q) 3 * q^2 - 12 * q + 25
CVMe <- function(q) q^2 - 6 * q + 25
CTMe <- function(q) q^2 - 6 * q + 25 + 100 / q

# Verificação numérica
q_star <- 3.5
P <- 19.75
cat(sprintf("q* = %.2f\n", q_star))
q* = 3.50
Código
cat(sprintf("CMg(q*) = %.2f (deve igual P = %.2f)\n", CMg(q_star), P))
CMg(q*) = 19.75 (deve igual P = 19.75)
Código
cat(sprintf("CVMe(q*) = %.2f\n", CVMe(q_star)))
CVMe(q*) = 16.25
Código
cat(sprintf("CTMe(q*) = %.2f\n", CTMe(q_star)))
CTMe(q*) = 44.82
Código
cat(sprintf("pi(q*) = %.3f\n", P * q_star - CT(q_star)))
pi(q*) = -87.750
Código
# Gráfico
q <- seq(0.5, 8, by = 0.05)
df <- tibble(
  q = q,
  CMg = CMg(q),
  CVMe = CVMe(q),
  CTMe = CTMe(q)
)

df |>
  pivot_longer(cols = c(CMg, CVMe, CTMe), names_to = "serie", values_to = "valor") |>
  ggplot(aes(x = q, y = valor, color = serie)) +
  geom_line(linewidth = 1.2) +
  geom_hline(yintercept = P, color = "black", linetype = "dashed") +
  geom_vline(xintercept = q_star, color = "gray50", linetype = "dashed") +
  annotate("point", x = q_star, y = P, color = "black", size = 3) +
  annotate("text", x = q_star + 0.2, y = P + 3,
           label = paste0("(", q_star, ", ", P, ")"),
           size = 4, hjust = 0) +
  annotate("text", x = 7.5, y = P + 3, label = paste0("P = ", P),
           color = "black", size = 4) +
  scale_color_manual(values = c(CMg = cor2, CVMe = cor3, CTMe = cor1)) +
  scale_x_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  scale_y_continuous(limits = c(0, 90), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  labs(
    title = paste0("P = CMg em q* = ", q_star, " (firma em prejuízo, mas acima do fechamento)"),
    x = "q", y = "custo/preço", color = NULL
  ) +
  theme_minimal(base_size = 13) +
  theme(
    axis.line = element_line(color = "black", linewidth = 0.8),
    legend.position = "bottom"
  )

Interpretação

Prejuízo mas produção. \(P = 19{,}75 < CTMe = 44{,}82\) ⇒ lucro negativo. Mas \(P > CVMe = 16{,}25\) ⇒ firma cobre custos variáveis e parte do fixo. Produzir minimiza o prejuízo (versus fechar e perder CF integral).

Cenário de curto prazo. Típico em recessão ou excesso temporário de capacidade. Firma opera até melhoria do preço ou esgotamento da paciência com prejuízos contínuos.

Longo prazo. Se \(P\) continuar em 19,75, a firma deve sair da indústria (longo prazo abandona instalações e recupera CF). A entrada ou saída de firmas ajusta \(P\) até lucro zero: próximo callout.

Decomposição do prejuízo. \(\pi = -87{,}75\): cobre variáveis + parcialmente fixo. Não-produção custaria \(-100\) (CF puro); produzir reduz a perda em 12,25.

Ver Nicholson e Snyder (2012, cap. 11, §11.3, exercícios).

Símbolo Significado
\(q(L, E) = 10 L^{1/2} E^{1/3}\) função produção CD, α+β = 5/6 < 1 (rend. decrescentes)
\(p\) preço do produto
\(w\) preço do trabalho
\(r_E\) preço da energia
\(\pi(L, E) = p q(L, E) - wL - r_E E\) lucro como função dos insumos
CPOs \(p \cdot PMg_L = w\) e \(p \cdot PMg_E = r_E\)

Desenvolvimento Teórico

Problema. A firma escolhe \((L, E)\) para maximizar o lucro:

\[\max_{L, E} \; \pi(L, E) = p \cdot 10 L^{1/2} E^{1/3} - wL - r_E E\]

CPOs.

\[\begin{aligned} \frac{\partial \pi}{\partial L} &= p \cdot 5 L^{-1/2} E^{1/3} - w = 0 \\[6pt] \frac{\partial \pi}{\partial E} &= p \cdot \tfrac{10}{3} L^{1/2} E^{-2/3} - r_E = 0 \end{aligned}\]

Que pode ser reescrito como:

\[\boxed{p \cdot PMg_L = w, \qquad p \cdot PMg_E = r_E}\]

Cada insumo é empregado até o ponto onde seu valor do produto marginal iguala seu preço. Relação fundamental da teoria da firma.

Sistema. Dividir as CPOs para eliminar dependências:

\[\frac{p \cdot PMg_L}{p \cdot PMg_E} = \frac{w}{r_E} \quad \Rightarrow \quad \frac{PMg_L}{PMg_E} = \frac{w}{r_E}\]

Que é exatamente a condição de minimização de custos (ver Note 7.3). Ou seja: a firma que maximiza lucro também minimiza custos dado o \(q\) resultante.

Rendimentos decrescentes. Para que exista máximo interior, a função de produção deve ter \(\alpha + \beta < 1\). Aqui \(1/2 + 1/3 = 5/6 < 1\) ✓.

Exercício Resolvido

\(q(L, E) = 10 L^{1/2} E^{1/3}\), \(p = 2\), \(w = 5\), \(r_E = 3\).

Parte A. Cálculos diretos com \(L = 16, E = 8\):

Passo 1 (item a): calcular \(q\) em \((L, E) = (16, 8)\)

\[\begin{aligned} q(16, 8) &= 10 \cdot 16^{1/2} \cdot 8^{1/3} & & \text{substituindo em } q(L, E) \\[6pt] &= 10 \cdot 4 \cdot 2 & & \sqrt{16} = 4, \; \sqrt[3]{8} = 2 \\[6pt] &= 80 & & \text{produto} \end{aligned}\]

\[\boxed{q = 80 \text{ unidades/semana}}\]

Passo 2 (item b): calcular o lucro com essa combinação

\[\begin{aligned} RT &= p \cdot q = 2 \cdot 80 = 160 & & \text{receita total} \\[6pt] CT &= wL + r_E E = 5 \cdot 16 + 3 \cdot 8 & & \text{custo total} \\[6pt] &= 80 + 24 = 104 & & \text{aritmética} \\[6pt] \pi &= RT - CT = 160 - 104 = 56 & & \text{lucro} \end{aligned}\]

\[\boxed{\pi(16, 8) = 56}\]

Parte B. Maximização irrestrita do lucro (item c):

Passo 3: escrever as CPOs

\[\begin{aligned} \frac{\partial \pi}{\partial L} = p \cdot 5 L^{-1/2} E^{1/3} - w &= 0 & & \Rightarrow \; 2 \cdot 5 L^{-1/2} E^{1/3} = 5 \\[6pt] \frac{\partial \pi}{\partial E} = p \cdot \tfrac{10}{3} L^{1/2} E^{-2/3} - r_E &= 0 & & \Rightarrow \; 2 \cdot \tfrac{10}{3} L^{1/2} E^{-2/3} = 3 \end{aligned}\]

Simplificando cada CPO:

\[\begin{aligned} 10 L^{-1/2} E^{1/3} = 5 & \Rightarrow & L^{1/2} &= 2 E^{1/3} & & \text{da CPO em } L \\[6pt] \tfrac{20}{3} L^{1/2} E^{-2/3} = 3 & \Rightarrow & L^{1/2} &= \tfrac{9}{20} E^{2/3} & & \text{da CPO em } E \end{aligned}\]

Passo 4: resolver o sistema igualando as duas expressões de \(L^{1/2}\)

\[\begin{aligned} 2 E^{1/3} &= \frac{9}{20} E^{2/3} & & \text{igualando} \\[6pt] 40 E^{1/3} &= 9 E^{2/3} & & \text{multiplicando por 20} \\[6pt] \frac{40}{9} &= E^{2/3 - 1/3} = E^{1/3} & & \text{isolando } E^{1/3} \\[6pt] E^* &= \left(\frac{40}{9}\right)^3 = \frac{64000}{729} \approx 87{,}79 & & \text{elevando ao cubo} \end{aligned}\]

Passo 5: encontrar \(L^*\)

\[\begin{aligned} L^{*1/2} &= 2 E^{*1/3} = 2 \cdot \frac{40}{9} = \frac{80}{9} & & \text{usando a relação do Passo 3} \\[6pt] L^* &= \left(\frac{80}{9}\right)^2 = \frac{6400}{81} \approx 79{,}01 & & \text{elevando ao quadrado} \end{aligned}\]

\[\boxed{L^* \approx 79{,}01, \quad E^* \approx 87{,}79}\]

Passo 6: calcular produção e lucro máximos

\[\begin{aligned} q^* &= 10 \cdot L^{*1/2} \cdot E^{*1/3} = 10 \cdot \tfrac{80}{9} \cdot \tfrac{40}{9} & & \text{substituindo} \\[6pt] &= \frac{32000}{81} \approx 395{,}06 & & \text{aritmética} \\[6pt] RT^* &= 2 \cdot 395{,}06 \approx 790{,}12 & & \text{receita} \\[6pt] CT^* &= 5 \cdot 79{,}01 + 3 \cdot 87{,}79 \approx 658{,}43 & & \text{custo} \\[6pt] \pi^* &= RT^* - CT^* \approx 131{,}69 & & \text{lucro} \end{aligned}\]

\[\boxed{q^* \approx 395, \quad \pi^* \approx 131{,}69}\]

Comparação. Produção inicial de 80 unidades gerava \(\pi = 56\). No ótimo, \(q \approx 395\) gera \(\pi \approx 131{,}69\): 2,4× mais lucro. A firma estava muito aquém do ótimo de curto prazo.

Implementação em R

Código
suppressPackageStartupMessages({
  library(plotly)
})

# Parâmetros
p <- 2
w <- 5
r_E <- 3

# Função produção e lucro
q_fun  <- function(L, E) 10 * L^(1/2) * E^(1/3)
pi_fun <- function(L, E) p * q_fun(L, E) - w * L - r_E * E

# Verificação numérica das soluções analíticas
L_star <- 6400 / 81      # ≈ 79.01
E_star <- 64000 / 729    # ≈ 87.79

cat(sprintf("L* = %.4f, E* = %.4f\n", L_star, E_star))
L* = 79.0123, E* = 87.7915
Código
cat(sprintf("q* = %.4f\n", q_fun(L_star, E_star)))
q* = 395.0617
Código
cat(sprintf("pi* = %.4f\n", pi_fun(L_star, E_star)))
pi* = 131.6872
Código
cat(sprintf("pi(16, 8) = %.1f (ponto inicial)\n", pi_fun(16, 8)))
pi(16, 8) = 56.0 (ponto inicial)
Código
# Verificar CPOs (gradientes devem ~= 0)
grad_L <- p * 5 * L_star^(-1/2) * E_star^(1/3) - w
grad_E <- p * (10/3) * L_star^(1/2) * E_star^(-2/3) - r_E
cat(sprintf("grad_L = %.6f, grad_E = %.6f\n", grad_L, grad_E))
grad_L = -0.000000, grad_E = 0.000000
Código
# Superfície 3D da função lucro
L_seq <- seq(1, 150, length.out = 100)
E_seq <- seq(1, 150, length.out = 100)
lucro_mat <- outer(L_seq, E_seq, Vectorize(pi_fun))

plot_ly(
  x = ~L_seq,
  y = ~E_seq,
  z = ~lucro_mat,
  type = "surface",
  colorscale = "Viridis"
) |>
  add_markers(
    x = ~L_star, y = ~E_star, z = ~pi_fun(L_star, E_star),
    marker = list(size = 6, color = "red", symbol = "circle"),
    name = "Lucro máximo"
  ) |>
  layout(
    title = "Função lucro π(L, E): superfície 3D com ponto ótimo",
    scene = list(
      xaxis = list(title = "Trabalho (L)"),
      yaxis = list(title = "Energia (E)"),
      zaxis = list(title = "Lucro π")
    )
  )

Interpretação

Valor do produto marginal = preço do insumo. A condição \(p \cdot PMg_L = w\) tem interpretação direta: a firma contrata mais trabalho enquanto cada unidade adicional gerar receita (\(p \cdot PMg_L\)) maior que seu custo (\(w\)). Para quando a margem desaparece.

Conexão com minimização de custos. O ótimo de lucro é também ótimo de custos: a razão \(PMg_L/PMg_E = w/r_E\) se mantém. A diferença é que aqui o nível absoluto \(q^*\) é escolhido (não dado), pois não há meta \(\bar q\).

Retornos decrescentes necessários. Com \(\alpha + \beta < 1\) (5/6 aqui), o lucro tem máximo interior finito. Com RCE (\(\alpha + \beta = 1\)) e preços dados, ou \(\pi\) é zero em todo \(q\) (compatível só com \(P = CTMe_{\min}\)) ou cresce sem limite. Com rendimentos crescentes, sempre aumenta: domínio natural de monopólio.

Escala da expansão. Dos 80 → 395 unidades e 56 → 131,69 u.m. de lucro. O ponto inicial (16, 8) subutilizava ambos os insumos dado os preços relativos.

Ver Nicholson e Snyder (2012, cap. 11, §11.5).

Símbolo Significado
\(S_i(P)\) curva de oferta da firma \(i\)
\(S(P) = \sum_i S_i(P)\) curva de oferta agregada (soma horizontal)
Entrada/saída livres condição do LP em concorrência perfeita
\(P_{\text{LP}} = CTMe_{\min}\) preço de equilíbrio de LP
\(\pi_{\text{LP}} = 0\) lucro econômico zero no equilíbrio

Desenvolvimento Teórico

Oferta individual. Do callout 4, a curva de oferta de curto prazo de uma firma competitiva é o ramo de \(CMg\) acima de \(CVMe_{\min}\):

\[q^* = S_i(P) = \begin{cases} CMg^{-1}(P), & P \geq CVMe_{\min} \\ 0, & P < CVMe_{\min} \end{cases}\]

Oferta agregada. Soma horizontal (para cada \(P\), soma as quantidades oferecidas por todas as firmas):

\[S(P) = \sum_{i=1}^n S_i(P)\]

Se todas as firmas são idênticas: \(S(P) = n \cdot S_i(P)\).

Equilíbrio de curto prazo. \(S(P) = D(P)\), onde \(D\) é a demanda agregada. Firmas operam com \(P = CMg\); podem ter lucro econômico positivo, zero ou negativo.

Longo prazo com entrada livre. Se \(P > CTMe_{\min}\) (lucro positivo), novas firmas entram, deslocando \(S\) para a direita. Preço cai. Se \(P < CTMe_{\min}\) (prejuízo sustentado), firmas saem, \(S\) desloca à esquerda. Preço sobe. Em equilíbrio:

\[\boxed{P_{\text{LP}} = CTMe_{\min}, \quad \pi = 0 \text{ para todas as firmas}}\]

Escala ótima. Cada firma opera em \(q^* = \arg\min CTMe\): a escala eficiente mínima. Essa é a quantidade individual no equilíbrio.

Número de firmas. Determinado pela demanda agregada. Se em \(P_{\text{LP}}\) a demanda é \(Q_D\) e cada firma produz \(q^*\), então \(n = Q_D / q^*\).

Exercício Resolvido

200 firmas idênticas com \(C(q) = q^3 - 30q^2 + 230q\). Entrada/saída livres. Determinar: (1) preço de equilíbrio LP; (2) oferta individual e agregada; (3) quantidade total no equilíbrio.

Passo 1: derivar \(CTMe\)

\[\begin{aligned} CF &= C(0) = 0 & & \text{sem custo fixo: } CTMe = CVMe \\[6pt] CTMe(q) &= \frac{C(q)}{q} = \frac{q^3 - 30q^2 + 230q}{q} & & \text{definição} \\[6pt] &= q^2 - 30q + 230 & & \text{dividindo cada termo por } q \end{aligned}\]

\[\boxed{CTMe(q) = q^2 - 30q + 230}\]

Passo 2: achar o mínimo de \(CTMe\)

\[\begin{aligned} CTMe'(q) &= 2q - 30 = 0 & & \text{CPO} \\[6pt] q_i^* &= 15 & & \text{resolvendo} \\[6pt] CTMe(15) &= 225 - 450 + 230 = 5 & & \text{substituindo} \end{aligned}\]

\[\boxed{P_{\text{LP}} = 5, \quad q_i^* = 15}\]

Passo 3: derivar a curva de oferta individual \(S_i(P)\)

Aplicando \(P = CMg\), válido para \(P \geq CVMe_{\min} = P_{\text{LP}} = 5\):

\[\begin{aligned} CMg(q) &= \frac{dC}{dq} = 3q^2 - 60q + 230 & & \text{derivando } C \\[6pt] P &= 3q^2 - 60q + 230 & & \text{igualando } P \text{ a } CMg \\[6pt] 3q^2 - 60q + (230 - P) &= 0 & & \text{reordenando} \\[6pt] q &= \frac{60 \pm \sqrt{3600 - 12(230 - P)}}{6} & & \text{Bháskara} \\[6pt] &= \frac{60 \pm \sqrt{840 + 12P}}{6} & & \text{simplificando} \end{aligned}\]

A raiz positiva (ramo crescente de \(CMg\)) dá a oferta válida:

\[\boxed{S_i(P) = \frac{60 + \sqrt{840 + 12P}}{6}, \quad P \geq 5}\]

Passo 4: verificar em \(P = 5\)

\[\begin{aligned} S_i(5) &= \frac{60 + \sqrt{840 + 60}}{6} & & \text{substituindo} \\[6pt] &= \frac{60 + \sqrt{900}}{6} = \frac{60 + 30}{6} & & \text{aritmética} \\[6pt] &= 15 \; \checkmark & & \text{compatível com } q_i^* = 15 \end{aligned}\]

Passo 5: montar a oferta agregada com 200 firmas

\[\begin{aligned} S(P) &= 200 \cdot S_i(P) & & \text{soma horizontal com firmas idênticas} \\[6pt] &= 200 \cdot \frac{60 + \sqrt{840 + 12P}}{6} & & \text{substituindo } S_i(P) \end{aligned}\]

Passo 6: calcular a quantidade agregada no equilíbrio

\[\begin{aligned} Q_{\text{LP}} &= 200 \cdot q_i^* & & \text{com todas em } q_i^* = 15 \\[6pt] &= 200 \cdot 15 = 3000 & & \text{unidades} \end{aligned}\]

\[\boxed{Q_{\text{LP}} = 3000}\]

Implementação em R

Código
cor1 <- "dodgerblue"
cor2 <- "firebrick"
cor3 <- "forestgreen"

# Painel (a): CTMe e CMg para uma firma
q <- seq(10, 22, by = 0.05)
df_firma <- tibble(
  q = q,
  CTMe = q^2 - 30 * q + 230,
  CMg = 3 * q^2 - 60 * q + 230
)

p1 <- df_firma |>
  pivot_longer(cols = c(CTMe, CMg), names_to = "serie", values_to = "valor") |>
  ggplot(aes(x = q, y = valor, color = serie)) +
  geom_line(linewidth = 1.2) +
  geom_hline(yintercept = 5, linetype = "dashed", color = cor3) +
  geom_vline(xintercept = 15, linetype = "dashed", color = "gray50") +
  annotate("point", x = 15, y = 5, color = "black", size = 3) +
  annotate("text", x = 16, y = 25, label = "(15, 5)", size = 4) +
  scale_color_manual(values = c(CTMe = cor1, CMg = cor2)) +
  scale_x_continuous(limits = c(10, 22), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  scale_y_continuous(limits = c(0, 400), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  labs(
    title = "Firma individual: P_LP = min CTMe em q* = 15",
    x = "q (firma)", y = "custo/preço", color = NULL
  ) +
  theme_minimal(base_size = 13) +
  theme(
    axis.line = element_line(color = "black", linewidth = 0.8),
    legend.position = "bottom"
  )

# Painel (b): oferta agregada com 200 firmas
P_grid <- seq(5, 30, by = 0.1)
df_agg <- tibble(
  P = P_grid,
  S_i = (60 + sqrt(840 + 12 * P_grid)) / 6,
  S_200 = 200 * (60 + sqrt(840 + 12 * P_grid)) / 6
)

p2 <- ggplot(df_agg, aes(x = S_200, y = P)) +
  geom_line(color = cor1, linewidth = 1.3) +
  geom_hline(yintercept = 5, linetype = "dashed", color = cor3) +
  annotate("point", x = 3000, y = 5, color = "black", size = 3) +
  annotate("text", x = 3030, y = 8, label = "(Q = 3000, P = 5)", size = 4, hjust = 0) +
  scale_x_continuous(limits = c(2900, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  scale_y_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  labs(
    title = "Oferta agregada: S(P) = 200 × S_i(P)",
    x = "Q (total)", y = "P"
  ) +
  theme_minimal(base_size = 13) +
  theme(axis.line = element_line(color = "black", linewidth = 0.8))

p1 + p2

Interpretação

Sem custo fixo. Neste exercício, \(CF = 0\), então \(CTMe = CVMe\). O ponto de fechamento coincide com o lucro-zero: \(P = 5\) é simultaneamente \(CVMe_{\min}\) e \(CTMe_{\min}\). Isso não é típico: normalmente há CF positivo e as duas curvas se separam (callout 4).

Lucro zero é o resultado, não a hipótese. Em equilíbrio de LP, cada firma tem \(\pi = 0\), mas isso emerge da concorrência. Não é que o proprietário aceite “nada”: o lucro normal (custo de oportunidade) já está embutido em \(CTMe\).

Mudanças na demanda. Se \(D\) sobe, curto prazo: \(P\) sobe, \(\pi > 0\) temporariamente. Longo prazo: mais firmas entram, \(S\) desloca à direita, \(P\) volta a \(P_{\text{LP}}\). A indústria se expande em quantidade (\(Q\)) mas não em preço.

Condições de entrada livre. Exigem: ausência de patentes/licenças, capital disponível, tecnologia acessível, escala ótima moderada. Indústrias com essas condições (restaurantes, varejo local) se aproximam do modelo; indústrias com grandes barreiras (aeronáutica, farmacêutica) estão longe.

Ver Nicholson e Snyder (2012, cap. 11, §11.4 e §11.6).

Símbolo Significado
\(\varepsilon_S = \dfrac{\%\Delta q}{\%\Delta p}\) elasticidade-preço da oferta
\(\varepsilon_S = \dfrac{dq}{dp} \cdot \dfrac{p}{q}\) forma analítica
\(\varepsilon_S > 1\) elástica
\(\varepsilon_S < 1\) inelástica
\(\varepsilon_S = 1\) unitária

Desenvolvimento Teórico

Definição. Quociente entre variação percentual da quantidade ofertada e variação percentual do preço. Em termos de derivada (limite de variações infinitesimais):

\[\varepsilon_S = \frac{dq}{dp} \cdot \frac{p}{q}\]

Sinal. Para bens normais, \(\varepsilon_S > 0\) (oferta e preço variam no mesmo sentido).

Classificação.

  • \(\varepsilon_S > 1\): oferta elástica (variação proporcional da quantidade maior que do preço).
  • \(\varepsilon_S = 1\): unitária (variações proporcionais iguais).
  • \(0 < \varepsilon_S < 1\): inelástica (quantidade responde pouco ao preço).
  • \(\varepsilon_S = 0\): perfeitamente inelástica (oferta fixa, ex.: leilão de obra de arte única).
  • \(\varepsilon_S \to \infty\): perfeitamente elástica (oferta horizontal, ex.: firma competitiva individual).

Determinantes.

  1. Horizonte temporal. Curto prazo: inputs fixos limitam ajuste; oferta inelástica. Longo prazo: todos os insumos variáveis; oferta mais elástica.
  2. Disponibilidade de substitutos de insumos. Se a firma pode facilmente trocar insumos ou contratar mais capacidade, \(\varepsilon_S\) é alta.
  3. Grau de utilização de capacidade. Em operação com folga, \(\varepsilon_S\) alta; capacidade próxima de esgotamento, \(\varepsilon_S\) cai.

Elasticidade em forma de potência. Se \(q = A p^\alpha\) (oferta isoelástica):

\[\frac{dq}{dp} = \alpha A p^{\alpha - 1}\]

\[\varepsilon_S = \alpha A p^{\alpha-1} \cdot \frac{p}{A p^\alpha} = \alpha\]

A elasticidade é constante e igual a \(\alpha\): independe do ponto escolhido na curva.

Exercício Resolvido

Uma firma tem oferta \(q = \sqrt{p}\) (milhares de chips). Calcular \(\varepsilon_S\) em \(q = 3000\).

Passo 1: identificar o expoente \(\alpha\)

\[\begin{aligned} q &= \sqrt{p} = p^{1/2} & & \text{reescrevendo como potência} \\[6pt] \alpha &= \tfrac{1}{2} & & \text{expoente da forma } q = A p^\alpha \end{aligned}\]

Como a oferta é isoelástica (potência), \(\varepsilon_S = \alpha\) em todo ponto:

\[\boxed{\varepsilon_S = \tfrac{1}{2} = 0{,}5}\]

Passo 2: verificar pela definição \(\varepsilon_S = (dq/dp)(p/q)\)

\[\begin{aligned} \frac{dq}{dp} &= \frac{d}{dp}\left(p^{1/2}\right) & & \text{derivada} \\[6pt] &= \tfrac{1}{2} p^{-1/2} = \frac{1}{2\sqrt{p}} & & \text{regra da potência} \end{aligned}\]

Passo 3: encontrar \(p\) correspondente a \(q = 3000\)

\[\begin{aligned} 3000 &= \sqrt{p} & & \text{invertendo a oferta} \\[6pt] p &= 3000^2 = 9{.}000{.}000 & & \text{elevando ao quadrado} \end{aligned}\]

Passo 4: avaliar \(\varepsilon_S\) em \((q, p) = (3000, 9{.}000{.}000)\)

\[\begin{aligned} \varepsilon_S &= \frac{dq}{dp} \cdot \frac{p}{q} & & \text{definição} \\[6pt] &= \frac{1}{2\sqrt{p}} \cdot \frac{p}{q} = \frac{1}{2 \cdot 3000} \cdot \frac{9{.}000{.}000}{3000} & & \text{substituindo} \\[6pt] &= \frac{1}{6000} \cdot 3000 = 0{,}5 \; \checkmark & & \text{aritmética} \end{aligned}\]

Confirma o resultado do Passo 1: \(\varepsilon_S = 0{,}5\) em qualquer ponto da curva.

Passo 5: interpretar

Oferta inelástica (\(\varepsilon_S < 1\)). Aumento de 10% no preço gera apenas 5% de aumento na quantidade ofertada. A firma responde com moderação a variações de preço, padrão típico de setores com capital fixo significativo.

Implementação em R

Código
cor1 <- "dodgerblue"
cor2 <- "firebrick"

# Dados
q_grid <- seq(500, 5000, by = 50)
df <- tibble(
  q = q_grid,
  p = q_grid^2
)

# Painel (a): curva de oferta com eixo q no x
p1 <- ggplot(df, aes(x = q, y = p)) +
  geom_line(color = cor1, linewidth = 1.3) +
  geom_point(data = tibble(q = 3000, p = 9e6),
             aes(x = q, y = p), color = cor2, size = 3, inherit.aes = FALSE) +
  annotate("text", x = 3400, y = 9.5e6,
           label = "(3000, 9.000.000)", color = cor2, size = 4) +
  scale_x_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  scale_y_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  labs(
    title = latex2exp::TeX(r"(Oferta: $q = \sqrt{p}$  (potência $\alpha = 1/2$))"),
    x = "q (milhares)", y = "p"
  ) +
  theme_minimal(base_size = 13) +
  theme(axis.line = element_line(color = "black", linewidth = 0.8))

# Painel (b): elasticidade (constante)
df_el <- tibble(
  q = seq(500, 5000, by = 50),
  epsilon_S = 0.5
)

p2 <- ggplot(df_el, aes(x = q, y = epsilon_S)) +
  geom_line(color = cor2, linewidth = 1.3) +
  geom_hline(yintercept = 1, linetype = "dashed", color = "gray50") +
  annotate("text", x = 4500, y = 1.05, label = "unitária (ε = 1)", size = 4) +
  scale_x_continuous(limits = c(0, NA), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  scale_y_continuous(limits = c(0, 1.5), expand = expansion(mult = c(0, 0.05))) +
  labs(
    title = latex2exp::TeX(r"(Elasticidade constante $\varepsilon_S = 1/2$ (inelástica))"),
    x = "q", y = latex2exp::TeX(r"($\varepsilon_S$)")
  ) +
  theme_minimal(base_size = 13) +
  theme(axis.line = element_line(color = "black", linewidth = 0.8))

p1 + p2

Interpretação

Elasticidade constante para oferta em potência. Em \(q = A p^\alpha\), \(\varepsilon_S = \alpha\) em todo ponto da curva. Propriedade especial: em outras formas funcionais (ex.: lineares, polinomiais) a elasticidade varia com \(p\).

\(\varepsilon_S = 0{,}5\) é inelástica. Setor de chips tem limitação de capacidade industrial, treinamento especializado, cadeias de suprimento complexas. Aumento de preço por si não expande oferta proporcionalmente.

Horizonte temporal. No curto prazo, \(\varepsilon_S\) costuma ser menor (capacidade fixa). Reestimada no longo prazo, tende a subir (construção de novas fábricas, treinamento de trabalhadores): potencialmente aproximando-se de 1 ou mais.

Aplicação a impostos. A incidência de impostos depende da elasticidade relativa da oferta vs. demanda. Oferta inelástica (como aqui) ⇒ maior parte do imposto recai sobre produtores (menor capacidade de repasse ao consumidor).

Ver Nicholson e Snyder (2012, cap. 11, §11.6).

Referências