2 Teoria neo-schumpeteriana e evolucionista

2.1 Nelson e Winter (2005)

2.1.1 Capítulo 1 – Introdução

  • mudança econômica

  • complexidade da mudança cumulativa na tecnologia e na organização econômica

  • firmas buscam lucro, mas não existe a pressuposição que elas sejam maximizadoras de lucros

  • ao longo do tempo, o análogo econômico da seleção natural opera à medida que o mercado determina quais firmas são lucrativas e quais não o são, tendendo a separar as segundas.

O debate ortodoxo vs evolucionário

  • a ortodoxia não é tão simplória quando apresentada nos textos de nível introdutório

  • pressuposto central, agentes racionais e otimizadores.

  • duas fêmeas;
    • Fatu, 18
    • Najin, 29

Modelo evolucionário

  • biologia serviu de inspiração para pegar emprestado ideias básicas.

  • sobreviver no mercado é similar sobreviver da biologia

  • genética organizacional: capacidade de obter lucros em mercado

  • ambientes de constantes mudanças

Modelagem ortodoxo

  • firmas maximizadoras, o lucro ou o valor presente
  • há uma especificação do conjunto de coisas que as firmas sabem fazer
  • a maximização considera todas as alternativas disponíveis
    • seria possível saber todos os caminhos alternativos?
  • equilíbrio entre oferta e demanda, que é a soma dos valores individuais

Modelagem evolucionária

  • firmas tem rotinas (produzir, realizar demais atividades, inclusive P&D, etc)

  • rotinas assumem a função que os genes apresentam na teoria evolucionária biológica

  • rotinas são hereditárias, sua importância vai aumentando ao longo do tempo

  • existem elementos estocásticos nas decisões

  • rotina de uma firma define uma lista de funções que determinam (talvez estocasticamete) o que ela faz em razão de diversas variáveis externas e internas

  • 3 tipos de rotinas

    • características operacionais (curto prazo)
    • determinam o aumento e diminuição do estoque de capital da firma - abrir novas fábricas, etc
    • modificar aspectos e características operacionais de longo prazo - rotina para mudar a rotina

ex.: Bombeiros Croácia, copa do mundo de futebol, rotina rígida para garantir respostas rápidas

  • os processos guiados por rotinas modificadoras de rotinas são equivalentes as mutações da biologia

  • várias firma no mercado podem estar em equilíbrio temporário, mas não existe pressuposição que existirá equilíbrio no longo prazo

  • preocupação: processo dinâmicos de longo prazo

  • lucro é importante por ser um sinal de mercado sobre o comportamento das firmas

  • um período (t) influencia outro período (t+1)

    • cadeias de Markov
  • modelos podem internalizar: estado da firma, estado informação, regras de investimento, regras de registro, regras de buscas, etc.

2.1.2 Capítulo 2 – A necessidade de uma teoria evolucionária

  • resposta adaptativas e não maximizadoras

  • modelos adaptativos podem ou não gerar trajetórias temporais que convergem para o equilíbrio

  • as tentativas ortodoxas de analisar a inovação e a mudança técnica tem sido distorcidas por dificuldades metodológicas

    • inovação diante de incertezas não é igual monopólio puro, pode existe concorrência por diferentes tecnologias
    • as analises de inovação são sempre ex-post não incorporando incertezas
  • tentativa de modelar a concorrência schumpeteriana

Diagnóstico e prescrição

  • lucro é o único objetivo empresarial explicitamente reconhecido

  • em tempos calmos e repetitivos, maximizar lucros ou objetivar o lucro é parecido

  • em tempos de mudanças técnicas significativas, é importante diferenciá-los

    • SpaceX quase quebrou
    • No início de setembro de 2016, um Falcon 9 explodiu durante uma operação de abastecimento de combustível para um teste de fogo estático de pré-lançamento padrão. A carga útil, o satélite de comunicações Amos-6 avaliado em US$ 200 milhões, foi destruído. A explosão foi causada pelo oxigênio líquido que é usado como combustível, ficando tão frio que se solidificou e inflamou recipientes com hélio feitos de carbono. Apesar de não ser considerado um lançamento malsucedido, a explosão do foguete colocou a empresa em um pausa de lançamentos de quatro meses enquanto descobria o que havia de errado. A SpaceX voltou com os lançamentos em janeiro de 2017. Fonte
    • 2017–2018: líder global de lançamento comercial
    • SpaceX Worth $74 Billion in 2021
  • incerteza knightiana

    • Knight (1921) distinguished between ‘risk’, defined as a measurable unknown to which probabilities can be assigned, and ‘uncertainty’, which are risks, to which such probabilities cannot be assigned.
  • a competição estabelece restrições involuntárias, relacionadas à sobrevivência, para as decisões empresarias.

  • é importante entender as fontes de crescimento das firmas, que foram ignoradas pelo teoria ortodoxa

2.1.3 Capítulo 4 – Habilidades

  • o comportamento individual como metáfora do comportamento organizacional
  • indivíduos também são organizações complexas
  • habilidades individuais são análogas às rotinas das organizações
  • habilidade = capacidade de ter uma sequência regular de comportamento coordenado que em geral é eficiente em relação a seus objetivos

Habilidades como programas

  • habilidades de digitar
    • digitar: “sim”, “que”, “como”, etc
    • digitar: “antidesestabelecimentarismo”
  • o desempenho humano hábil é automático, no sentido de que a maioria dos detalhes é executada inconscientemente. Um precedente bem-vindo no sucesso de um esforço para adquirir uma nova habilidade é a necessidade decrescente de prestar atenção aos detalhes.

Habilidades e conhecimento tácito

  • Polányi (1962) Personal knowledge
    • sabemos mais do que podemos dizer
  • exemplo:
    • nadador que coordena os movimentos para flutuar e respirar ao mesmo tempo, não é preciso racionalizar
    • “second nature”, mesmo não sabendo dos detalhes das sub ações
  • instrução detalhada da habilidade = lista de sub-habilidades a serem executadas com a eficiência requerida
    • pousar um avião
    • mesmo com uma lista detalhada dos passos para pousar um avião seria ariscado eu, sem treinamento, tentar fazê-lo
  • limites:

    • operacionalizar em tampo hábil
    • profundidade causal do conhecimento
    • coerência do todo versus as partes
  • boa parte do conhecimento operacional permanece tácito porque não pode ser articulada com suficiente rapidez.

  • exemplo: o renascimento da fotografia analógica, onde habilidades foram perdidas

    • Programa finlandês para restaurar cameras
    • profissão requisitada no momento: engenheiro mecânico certificado para reparar câmeras
    • kodak não consegue mais fabricar filmes coloridos como no passado, por conta da dificuldade de obter materiais
    • Leica não consegue atender a demanda por cameras analógicas, por dificuldade treinamento de pessoal nas fábricas
  • custos também importam no processo produtivo e de aprendizado

Habilidades e escolhas

Aula 03 parou aqui.

  • Um motorista experiente e habilidoso não escolhe (deliberadamente) não escolhe manter o carro na estrada, ele apenas o faz, seu propósito é ir a algum lugar.

  • A supressão da escolha é associada a uma condição para a regularidade e eficácia que o comportamento habilidoso proporciona.

  • trade-off entre capacidade e escolha deliberada

A utilização de denominações para habilidade

  • saber como fazer X vs saber com fazer que X se realize

  • o planejador eficiente consegue realizar a segunda opção

  • arranjos sociais: padronização, certificação

    • certificados da linux fundation, mecânicos (Fabrini), etc.

Ambiguidade de escopo

  • habilidades complexas e estruturadas envolvem incertezas de previsibilidade
  • realizar a habilidade depende do escopo (contexto) que a mesma este sendo realizada
    • exemplo: motorista em Londres, cansado, mão contrária, etc

As habilidades de homem de negócios

  • habilidade complexa, com conhecimento tácito dos detalhes dos procedimentos envolvidos

  • homens de negócios nem sempre calculam todas as possibilidades, as vezes eles simplesmente decidem por julgar conhecer suficientemente seu ramo de atuação

2.1.4 Capítulo 5 – Aptidões e comportamento das organizações

  • rotina
    • estruturam uma grande parte do funcionamento da organização a qualquer momento.
  • repertório
    • conjunto de habilidades e rotinas, cada membro da organização tem um repertório

Rotina como memória da organização

  • onde reside do conhecimento?
    • na memória de uma organização
    • a rotinização das atividades de uma organização constitui a forma mais importante de estocagem do conhecimento específico da organização
    • o organização lembra fazendo
    • em muitos casos a memória do fazer predomina sobre a memória dos registros formais
  • escolher quais rotinas seguir, depende da capacidade de leitura dos sinais do mercado/ambiente
    • engenheiro brasileiro, formado na Unicamp, funcionário da Mercedez, estrategista de corrida de F1. Matéria.
  • Kodak não alterou dua rotina, mantendo numa trajetória analógica
  • um fluxo de mensagens chega à organização, vindo do ambiente externo, dos relógios e dos calendários. Os membros da organização que recebem essas mensagens interpretam-nas como solicitações da execução de rotinas e partir de seus repertórios.

  • o elemento central de desempenho produtivo de uma organização é a coordenação

  • as habilidades, a organização e a tecnologia estão intimamente interligadas numa rotina funcional, e é difícil dizer onde exatamente termina um aspecto e onde começa outro.

  • a complexidade e a escala do processo produtivo podem ultrapassar de longe a capacidade diretiva concebível de qualquer ‘engenheiro-chefe’, não importa quão habilidoso ele seja.

  • atividades executadas com pouca frequência são atividades menos refinadas que atividades rotineiras. Pode haver perda de memória.

A rotina como trégua

  • exemplo Guardiola no Barcelona
    • workshop no MIT sobre robótica, única regra, seguir suas planos táticos
    • modelo Mourinho (mais liberdade) vs modelo Guardiola (mais controle)

Ler texto grifado.

A rotina como meta: controle, cópia e imitação

  • Controle
    • ex.: setor petrolífero brasileiro
      • alta capacidade de adaptação devido a heterogeneidade da matéria prima
  • os processos de controle de organizações (sobreviventes) tendem a resistir a mutações, mesmo àquelas que se apresentam com inovações desejáveis.
    • xérox e o mouse
    • kodak e a camera digital

Referências

NELSON, R. R.; WINTER, S. G. Uma teoria evolucionária da mudança econômica. [s.l.] Editora Unicamp, 2005.