4 Fontes de Inovação

4.1 Rosenberg (2006) – Por dentro da caixa-preta: tecnologia e economia

O que acontece dentro da caixa-preta?

  • quais características específicas de tecnolgias individuais deram forma a alguns desenvolvimentos de grande interesse para os economistas: o ritimo de melhoria da produtividade, a natureza do processo de aprendizagem subjacente à própria tecnologia, a rapidez da transferência tecnológica, e a eficácia das políticas governamentais com as quais se pretende influenciar as tecnológicas de maneiras particulares.

4.1.1 Capítulo 3 - Interdependências tecnológicas na economia norte-americana

  • Complementaridades, página 97
    • inovações complementares são o padrão para aumentar a produtividade
    • estrada de ferro e agricultura
  • O impacto cumulativo de pequenos melhoramentos, página 105
    • barco a vapor
    • fazer coisas funcionar, e fazer funcionar um pouco melhor, o verdadeiro ritmo da inovação
    • mudanças no nível da firma são chave
    • industria do petróleo, aperfeiçoamentos contínuos são mais importantes que o desenvolvimentos individuais
    • mudança da capacidade de carga do vagão – de 1870 a 1910 – 1:1 para 2:2
  • Relacionamentos intersetoriais, página 117
    • os benefícios do aumento da produtividade podem decerrer em setores distintos de onde nasceu a inovação
    • setores demandando inovação e demais relações

4.1.2 Capítulo 4 - Os efeitos das características da oferta de energia sobre a tecnologia e o crescimento econômico

  • O caso da metalurgia, página 134

  • O caso da eletricidade, página 150

4.1.3 Capítulo 5 - Sobre as expectativas tecnológicas

4.1.4 Capítulo 6 - O aprendizado pelo uso

4.1.5 Capítulo 7 - Quão exógena é a ciência?


4.2 Rapini et al. (2021) – Economia da ciência, tecnologia e inovação

4.2.1 Capítulo 6 – Paranhos e Hasenclever (2021) – Empresa inovadora: teoria, conceitos e métricas

4.2.2 Capítulo 7 – Tatsch (2021) – Processos de aprendizado e capacidades do nível das firmas

  • Dentre os diferentes tipos de aprendizado interno, podem-se citar: o aprendizado por uso (learning-by-using), o aprendizado por experiência (learning-by-doing) e o aprendizado por pesquisa ou busca (learning-by-searching).

  • Quanto ao aprendizado externo, ele compreende, especialmente, o aprendizado por imitação (learning-by-imitating), o aprendizado por interação (learning-by-interacting) e o aprendizado por cooperação (learning-by-cooperating).

  • Em suma, as organizações se valem de diferentes formas de aprendizado e a partir desses processos de aprendizagem constroem suas capacidades, as quais envolvem um conjunto de habilidades e competências7 que dão origem às particularidades de cada empresa.

  • As capacidades organizacionais são assim firma-específicas e geram conhecimentos que são path-dependent, altamente dependentes da trajetória passada (história) da firma. Eles implicitamente definem o que uma empresa aprende e o que ela pode esperar alcançar no futuro (MALERBA, 2011).

  • Penrose (2006), já em 1959, interessada em explicar o processo de crescimento da firma e os limites internos e externos à sua expansão, esclarece que cada firma é única. Para a autora, a origem desse caráter único das firmas está na distinção entre recursos e serviços. Para ela, “[…] uma firma representa mais do que uma unidade administrativa; trata-se também de um conjunto de recursos produtivos cuja disposição entre diversos usos e através do tempo é determinada por decisões administrativas” (PENROSE, 2006, p. 61).

capacidade dinâmica

  • Teece, Pisano e Shuen,10 preocupados em explicar como as organizações alcançam e sustentam vantagens competitivas num ambiente de constantes mutações, propõem o conceito de “capacidades dinâmicas”11 (TEECE; PISANO, 1994; TEECE; PISANO; SHUEN, 1997;, 2002): “Dynamic capabilities are subset of the competences/capabilities which allow the firm to create new products and processes, and respond to changing market circumstances”12 (TEECE; PISANO, 1994, p. 541).

  • Teece (2011) auxilia no entendimento das particularidades do conceito. Para ele, recursos são ativos firma-específicos; são estoques e não fluxos; podem ser tangíveis, mas são maiormente intangíveis; e não comercializáveis. Incluem, por exemplo, “intellectual property, process know-how, customer relationships, and the knowledge possessed by groups of especially skilled employees”.

capacidade de absorção

  • “[…] an ability to recognize the value of new information, assimilate it, and apply it to commercial ends” (COHEN; LEVINTHAL, 1990, p. 128).

  • essa capacidade não apenas permite à firma explorar conhecimentos extramuros, mas “[…] permits the firm to predict more accurately the nature of future technological advances and their commercial applications” (COHEN; LEVINTHAL, 1994, p. 229).

aprendizados, capacidades e as características setoriais

  • A taxonomia setorial proposta por Pavitt, em 1984, é considerada referência obrigatória para as pesquisas sobre dinâmica industrial com base no referencial neo-schumpeteriano.

  • três conjuntos de variáveis: as fontes de tecnologias, como P&D, próprio ou contratado, e as informações advindas dos usuários; as necessidades dos usuários, particularmente em relação a preços, desempenho e confiabilidade; e os meios de apropriação de lucros frutos da performance inovativa, como, por exemplo, patentes e segredo industrial.

  • Propõe então uma tipologia que classifica os setores em três grupos: dominados pelos fornecedores (supplier dominated); intensivos em produção (production intensive); e baseados em ciência (science based). A categoria de intensivos em produção abrange tanto os setores intensivos em escala (scale intensive) quanto os fornecedores especializados (specialized ssuppliers) (PAVITT, 1984).

considerações finais

  • Ao longo do capítulo, examinaram-se os diversos processos de aprendizagem que possibilitam ampliar a base de conhecimento dos agentes econômicos e, por conseguinte, ampliar as capacidades das firmas. Como se viu, são vários os caminhos para o aprendizado, e as firmas, enquanto organizações que aprendem, inscrevem esse aprendizado em rotinas. Como fruto desses processos, as capacidades de inovação tecnológica e de absorção são construídas. Tais capacitações são atributos-chave na construção de vantagens competitivas

  • As organizações ao se valerem de diferentes formas de aprendizado constroem suas capacidades. Sendo assim, o aprendizado tecnológico viabiliza a acumulação de capacidades tecnológicas que dão origem às mudanças técnicas (novos ou adaptados produtos e processos). Essas capacidades envolvem um conjunto de habilidades e competências que engendram as particularidades de cada empresa. As capacidades organizacionais são firma-específicas e geram conhecimentos que são path-dependent.

Referências

PARANHOS, J.; HASENCLEVER, L. Empresa inovadora: teoria, conceitos e métricas. In: RAPINI, M. S. et al. (Eds.). Economia da ciência, tecnologia e inovação: fundamentos teóricos e a economia global. 2. ed. [s.l.] Cedeplar - UFMG, 2021. p. 161–182.
RAPINI, M. S. et al. (EDS.). Economia da ciência, tecnologia e inovação: fundamentos teóricos e a economia global. 2. ed. [s.l.] Cedeplar - UFMG, 2021.
ROSENBERG, N. Por dentro da caixa-preta: tecnologia e economia. [s.l.] Unicamp, 2006.
TATSCH, A. L. Processos de aprendizado e capacidades no nível das firmas. In: RAPINI, M. S. et al. (Eds.). Economia da ciência, tecnologia e inovação: fundamentos teóricos e a economia global. 2. ed. [s.l.] Cedeplar - UFMG, 2021. p. 183–206.