3 O Processo de Mudança Tecnológica: Paradigmas e Trajetórias Tecnológicas
3.1 Dosi (2006) Mudança técnica e transformação industrial
3.1.1 Capítulo 1 - Introdução
Quais são os fatores tecnológicos e os impulsos microeconômicos subjacentes ao crescimento e à transformações da economia moderna?
O ponto de partida será a teoria evolucionária da empresa de Nelson e Winter (1982).
Empresas heterogêneas.
Assimetria como um conceito chave.
Diferenças no sistema produtivo explicado pela assimetria a fronteira tecnológica.
- Assimetrias entre países vão mudando ao longo do tempo devido da mudança técnica.
- obs.: estruturas não rígidas
- Teoria econômica dominante
- tecnologia endógena no curto prazo (basta contratar cientistas e engenheiros)
- exógena no longo prazo (por meio de movimentos da própria função de produção)
3.1.2 Capítulo 2 - Tendências da inovação e seus determinantes: os ingredientes da processo inovador
Modelo de determinação de mudança técnica, aplicado a indústria de semicondutores.
3.1.2.1 Capítulo 2.1 - Teorias da mudança técnica: indução pela demanda versus impulso pela tecnologia
Demand pull versus Technology push
3.1.2.1.1 Uma crítica às teorias da “indução pela demanda”
As necessidades de mercado como indutora de inovação.
Funcionaria devido:
- existe no mercado um conjunto de bens intermediários incorporando diferentes ‘necessidades’ dos compradores.
- os consumidores/usuários expressam suas preferências em relação às características dos bens desejados através de seus padrões de demanda.
- com a renda crescente dos consumidores/usuários, estes passariam a demandar proporcionalmente maior quantidade de bens que incorporam certas características relativamente preferenciais, isto é, bens que satisfazem suas necessidades de modo mais adequado.
- quando isso se dá, os produtores entram em cena, constatando - através dos movimentos da demanda e dos preços - as necessidades expressas pelos consumidores/usuários.
- nesse ponto se inicia o processo de inovação propriamente dito, e que as firmas bem sucedidas irão trazer ao mercado seus bens novos ou ou aperfeiçoados, permitindo que o mercado monitore sua crescente aptidão de satisfazer as necessidades dos consumidores.
Existem três fragilidades básicas na teoria demanda pull:
o conceito passivo e mecânico de ‘relatividade’ às mudanças tecnológicas vis-a-vis as condições de mercado.
incapacidade de definir por que e quando de certos desenvolvimentos tecnológicos em vez de outros, e de definir certo timing em detrimento de outros.
desconsideração das mudanças ao longo do tempo, da capacidade de invenção, que não mantém qualquer relacionamento direto com as condições mutáveis do mercado.
3.1.2.2 O ‘impulso pela técnica’ e a importância dos fatores econômicos
- Teoria anterior dificuldade em considerar:
- complexidade
- relativa autonomia
- incerteza
Teorias technology push não significa uma relação direta ciência-tecnologia-inovação.
Há uma complexa estrutura de retroalimentação entre o ambiente econômico e as mudanças tecnológicas.
3.1.2.3 Alguns fatos estilizados sobre os processos de inovação
Procedimentos bem estabelecidos na literatura de inovação:
- século XX aumento o participação da ciência na inovação.
- maior complexidade de P&D, inovação passa a ser plano de longo prazo nas empresas.
- correlação entre esforços de P&D e inovação (medida como patentes).
- várias inovações ocorrem pelo learning by doing.
- mesmo altos investimentos em P&D a inovação cercada de incertezas.
- mudança técnica não ocorre ao acaso, depende das tecnologias vigentes para se desenvolver.
- a evolução das tecnologias ao longo do tempo apresenta certas regularidades significativas e, as vezes, é possível definir as trajetórias das mudanças em termos de certas características tecnológicas e econômicas dos produtos e processos.
Investigar-se-á o inter-relacionamento entre os sistemas ‘científico’, ‘tecnológico’ e ‘econômico’.
3.1.2.4 Uma interpretação proposta: paradigmas tecnológicos e trajetórias tecnológicas


3.1.2.5 A natureza e os procedimentos dos avanços tecnológicos
Definimos tecnologia como um conjunto de parcelas de conhecimento – tanto diretamente prático, como teórico, de know-how, métodos, procedimentos, experiências de sucesso e insucessos e também, é claro, dispositivos físicos e equipamentos.
Paradigma científico: uma perspectiva que expressa problemas relevantes, um modelo e uma padrão de inquirição.
Paradigma tecnológico: um modelo e um padrão de solução de problemas tecnológicos selecionados, baseados em princípios selecionados, derivados das ciências naturais, e em tecnologias materiais selecionadas.
3.1.2.6 O processo de seleção dos paradigmas tecnológicos
Deixando de lado os problemas de feedback, a hipótese, é que, ao longo da corrente ciência-tecnologia-produção, as forças econômicas, junto com os fatores institucional e social, funcionam como dispositivo seletivo. Critérios econômicos, que agem como seletores, definem cada vez mais precisamente as trajetórias reais seguidas, dentro de um conjunto muito maior de trajetórias possíveis.
3.1.2.7 As direções do progresso técnico
Algumas características das trajetórias tecnológicas, definidas em termos dos paradigmas tecnológicos:
- pode haver trajetórias mais genéricas ou mais circunscritas, assim como mais poderosas ou menos poderosas.
- existe complementaridades de conhecimento, experiência, habilidade, etc. Os desenvolvimentos ou a falta de desenvolvimento e certa tecnologia pode estimular ou impedir desenvolvimentos em outras.
- definimos fronteira tecológica como o mais alto nível alcançado em relação a uma trajetória tecnológica, com respeito às dimensões tecnológicas e econômicas relevantes.
- é provável que o progresso numa trajetória tecnológica conserve certos aspectos cumulativos.
- quando uma trajetória tecnológica é muito poderosa, pode haver dificuldade em mudar para uma trajetória alternativa.
- é questionável a possibilidade de, a priori, comparar e avaliar a superioridade de certa trajetória tecnológica em relação a outra.
3.1.2.8 Economia e tecnologia
O ambiente econômico e social afeta o desenvolvimento tecnológico de duas maneiras: selecionando a direção da mutação, e depois selecionando entre as mutações. Às vezes, quando estão surgindo novas tecnologias, podemos com frequência observar novas empresas (schumpeterianas) tentando explorar diversas inovações tecnológicas. O mercado funciona como um sistema de recompensas e penalidades, verificando e selecionando entre diversas alternativas. A esse respeito, a existência de uma multiplicidade de atores que assumem riscos, em economias não planejadas, é decisiva em relação aos procedimentos de tentativa e erro, associados à busca de novas trajetórias tecnológicas.
Naturalmente esses atores assumem riscos porque existem mercados que oferecem grandes recompensas (lucros) como resultado do processo comercial.
3.1.2.9 Um olhar a partir do lado oposto: como as mudanças no meio ambiente afetam a mudança técnica?
Os produtores certamente reagem a sinais do ambiente econômico, procurando responder através de avanços técnicos. No entanto, isso muitas vezes acontece dentro dos limites de uma dada trajetória tecnológica, que pode ser conducente ou impor crescentes restrições a quaisquer desenvolvimentos compatíveis com os ‘sinais’ liberados pelo ambiente econômico.
As dificuldades tecnológicas não-solucionadas não acarretam automaticamente uma mudança para outra trajetória.
3.1.2.10 Capítulo 2.3 - A indústria de semicondutores: definição e características tecnológicas
Exemplos da indústria de semicondutores.



Processo complexo que envolve diversas etapas.

A base do processo é a mesma desenvolvida até hoje.

3.1.2.11 Capítulo 2.4 - O desenvolvimento da tecnologia dos semicondutores
Das válvulas aos semicondutores
início do século XX: principais conhecimentos científicos sobre as válvulas
chegou-se ao limite da possibilidade técnica
- limitada faixa de frequência
- grande consumo de energia
- a grande dispersão de calor
- limitada confiabilidade
- tamanho não redutível
o início do desenvolvimento do transitor foi necessário, contudo era incerto, nos anos 1930 e 1940 que a tecnologia bem sucedida.
conhecimentos básicos desenvolvidos em universidades e grandes empresas

Pesquisa e inovação: o papel das grandes instituições de pesquisa nos primeiros tempos dos semicondutores
- grande número de inovações
- fase inicial a pesquisa esta conectada com a própria ciência
- as inovações de sucesso não foram, em geral, as produtoras de sucesso dos dispositivos baseados nessas inovações.
- a maior parte das pesquisas nos EUA e Europa, nos anos 1950, foram desenvolvidas por empresas, frequentemente produtoras de válvulas
- 59% do P&D no ano de 1959
inovações de produtos

inovações de processos

As dimensões do progresso técnico e a fronteira tecnológica

A emergência da lidença norte-americana

Resumo dos efeitos dos programas militares:
- impulso rumo a direções e áreas tecnológicas precisamente definidas, para a aplicação de esforços de P&D.
- apoio financeiro direto para testar trajetórias tecnológicas que não estavam bem definidas.
- aceleração do progresso técnico compatível com o conhecimento, a tecnologia e a experiência existentes.
- subsídio para a expansão da capacidade produtiva a certos níveis-alvo.
- impulso à pradronização da produção.
- redução das barreiras de entrada para novas empresas.
- garantia de um futuro mercado para qualquer inovação correspondente às características tecnológicas requeridas.
- expansão da demanda, com poderosos efeitos de aprendizado associados à produtividade e aos custos unitários.
- subsídios em contratos públicos, para ajudar a cobrir custos fixos.
À medida que este ramos foi ficando mais estabelecido, adquirindo características tecnológicas mais definidas, padrões de mudança técnica mais claros, o papel de planejamento institucional das políticas do setor miliar foi diminuindo.
O cenário europeu
- as grandes empresas europeias entraram tarde, com diferentes aptidões tecnológicas e dedicante diferentes recursos financeiros.
- focalizaram em direções tecnológicas e aplicações em que já estavam atuando.
- exploração de menor quantidade de direções tecnológicas.


O imperativo da alta tecnologia: o caso do Japão
Objetivo e coordenação.

- rápida redução da defasagem vis-à-vis a indústria norte-americana. A defasagem decresceu de 3,4 anos em 1950 para 1,2 anos em 1960.
- evitar duplicações dos esforços de P&D, e difundir o mais rápido possível a melhor tecnologia disponível entre todas as empresas.
- estímulo a concorrência interna entre as empresas japonesas, para promover a agressividade tecnológica e comercial, e para manter as condições estruturais mais favoráveis para o progresso técnico.
- a garantia de um mercado assegurado para o ramo (embora não para cada empresa). Controle das importações e do investimento estrangeiro.
- controle da tecnologia importada, permitindo acordos de licenciamento, visando aumentar o nível tecnológico japonês.
- Diálogo em coordenação e desenvolvimento.
Algumas conclusões
- início: similaridades entre ciência e tecnologia
- tecnologia é mais que um impulso pela demanda, fatores econômicos importam
- liquidez, rentabilidade, redução de custo de produção, busca de novos mercados
- fatores institucionais (demanda militar)
- mecanismos seletivos de desenvolvimentos tecnológicos
- as “forças do mercado” são mais fracas no direcionamento quando a tecnologias estão na fase inicial, com maior incerteza.
- forte processo de tentativa e erro significa elevado custo: “ônus do precursor”.
- estímulos a demanda tornam a progresso técnico endógeno ao sistema econômico.
- a difusão é também um fator importante, assim como a inovação
- diferenças entre empresas e países nas capacidades de inovação e imitação apresentam consequências da máxima importância em relação ao processo competitivo, à transformação das estruturas industrias e aos padrões do comércio e investimentos internacionais.
3.2 Capítulo 3 - Mudança técnica e transformação estrutural: os padrões da dinâmica industrial
- o capítulo será a discussão de mudança técnica e mudança estrutural
- evidências da industria de semicondutores
3.2.1 Capítulo 3.1 Oportunidades, incentivos e restrições às mudanças técnicas
- dinâmica industrial
- diferentes estruturas de mercado geram diferentes incentivos a inovação
Conceitos importantes (não aleatórios):
- cumulatividade do progresso técnico (know-how importa)
- oportunidade tecnológica (setor de vestuário vs semicondutores)
- apropriabilidade privada dos efeitos da mudança técnica (aspectos ligados a firma Nelson e Winter)
Estruturas de mercado e inovações: o estado-da-arte na economia industrial
se o argumento que a firma precisa ser grande para inovar for aceito, a inovação pode ser linear, simplificada.
aprendizado é importante, sendo cumulativo, e não captado pela variável associada à P&D.
diversos autores fazem uma equivocada designação da “hipótese shumpeteriana”, onde tamanho direciona inovação (lineariza).
Estruturas de mercado e inovações: as constatações empíricas
- evidências empíricas associam capacidade de inovação ao tamanho da empresa
- problema para os modelos neoclássicos - rendimentos crescentes de escala
- a estrutura de mercado deve ser considerada uma variável endógena
3.2.2 Capítulo 3.2 A interação entre a mudança técnica e as estruturas industrias
Capacidade de inovação e oligopólio

“Causação inversa” entre a tecnologia e as estruturas de mercado

Assimetrias interempresas como características permanente da dinâmica produtiva

O que é “ambiente oligopolista”?

3.2.3 Capítulo 3.5 Conclusões

- quando o conhecimento se torna sólido, empresas estabelecidas tentem a se apropriar das novas soluções
